ALEX SILVA/ESTADÃO
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Se ajuste fiscal não for adotado, risco de crise pode voltar, diz Marcos Lisboa

Ex-secretário de Política Econômica e presidente do Insper afirmou que medidas afastam temporariamente o risco de uma crise aguda

Ricardo Leopoldo e Alvaro Campos, O Estado de S. Paulo

08 Maio 2015 | 15h30


SÃO PAULO - O ajuste fiscal adotado pelo governo, em boa parte com elevação de impostos ruins para a economia, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para crédito, afasta temporariamente o perigo de o País enfrentar uma crise aguda, comentou Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica, que atualmente é presidente do Insper. "Mas se a promessa de melhora das contas públicas mudar de mão, também muda a direção da crise", destacou.

De acordo com Lisboa, será muito difícil o governo entregar a meta de superávit primário de R$ 66,3 bilhões neste ano. "A arrecadação federal poderá cair perto de 0,5% do PIB neste ano basicamente devido à recessão que o País está enfrentando", disse. "Com as propostas de ajuste fiscal feitas em dezembro, poderia ser obtido um primário de 0,6% a 0,8% do PIB, com as receitas estáveis. Mas elas vão baixar. Fica a dúvida se serão necessários novos aumentos de impostos", ponderou. Ele destacou que é necessária uma poupança do Orçamento entre 2,5% e 3,5% do PIB ao ano para que a dívida bruta fique estável como proporção do produto interno bruto. 

Na avaliação de Marcos Lisboa, além do ajuste fiscal, o Brasil precisa de uma agenda de crescimento, inclusive porque a produtividade total de fatores no Brasil é nula ou negativa desde 2010. "Sem o aumento da produtividade, o País estará condenado a uma expansão entre 1% e 1,5% ao ano, apenas", disse. "Nesse contexto, é preciso abertura comercial para tornar a economia mais eficiente, rever as normas de conteúdo nacional, acabar com benefícios setoriais e fortalecer marcos regulatórios para diversos setores produtivos, sobretudo para estimular os investimentos em infraestrutura", comentou. 

Lisboa também defendeu a revisão de gastos do governo. "O programa Bolsa Família é barato e muito eficaz, e custa  0,5% do PIB. Mas há outras despesas com pouca comprovação de benefícios à sociedade. A  Zona franca de Manaus e os subsídios do BNDES custam, cada um, o equivalente às despesas do Bolsa Família por ano." Ele fez os comentários em palestra no evento Desafio Fiscal Brasileiro, realizado pelo Insper em São Paulo.

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