Paulo Liebert/Estadão
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Se desoneração acabar, indústria de máquinas demitirá 150 mil, diz presidente da Abimaq

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza, número de demissões pode chegar a 800 mil trabalhadores, se contabilizados empregos indiretos gerados pelo setor

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2015 | 17h46

A reversão da desoneração da folha de pagamentos para a indústria de transformação, se aprovada pelo Congresso Nacional, deverá provocar a demissão de 150 mil trabalhadores no setor de máquinas até o fim deste ano, afirmou nesta quarta-feira o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza. Segundo ele, o setor tem 350 mil empregos diretos e o número a ser cortado superaria o total de funcionários de toda a indústria automotiva (112,2 mil funcionários em maio).

"O que vai acontecer é que, com essa confluência de juros absolutamente extorsivos, com Selic a quase 14%, que cauteriza qualquer vontade de investir, somada agora com essa reversão das desonerações, vai ser uma pá de cal. Vamos começar a demitir de forma brutal", afirmou o executivo em entrevista ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado. De acordo com o presidente da Abimaq, se contabilizados os empregos indiretos gerados pela indústria de máquinas e equipamentos, o número de demissões neste ano chegará a 800 mil trabalhadores.  

Pastoriza criticou o relatório do líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), que prevê recomposição menor das alíquotas de desoneração para as áreas de comunicação social, transportes, alimentos da cesta básica e call centers. "Isso foi politicagem pura", disse. Inicialmente, o governo federal era contra a proposta de Picciani, mas, conforme revelou reportagem do Estado de hoje, teria cedido e aceitado a flexibilizar alguns itens da proposta para evitar uma derrota durante a votação. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, contudo, disse há pouco desconhecer esses escalonamentos.

"São setores que não têm nenhuma razão técnica para receber o benefício (da desoneração) porque não sofrem concorrência dos importados", criticou o executivo. Ele lembrou que, originalmente, a política de desonerações foi criada em 2011 para 12 setores da indústria de transformação para compensar a perda de mercado frente aos importados, em razão do chamado "custo Brasil" e do câmbio desvalorizado.  "Nessa época, a desoneração segurou empregos que deveriam ter sido cortados", ressaltou. A desoneração para os outros setores só foi incluída pelo Executivo posteriormente. 

Pastoriza destacou que, mesmo acima de R$ 3, o nível atual do dólar não tem ajudado a indústria. "A única vantagem foi em relação ao mercado americano porque outras moedas asiáticas e o euro também se desvalorizaram (frente ao dólar)", disse.

Para ele, não adianta a moeda americana estar valorizada se não há "juros civilizados". Segundo o executivo, a Selic a quase 14% causa duplo mal estar para a indústria: atrai o capital especulativo que mantém o dólar artificialmente baixo e inibe investimentos produtivos. "Sem swap e com juros menores, o dólar certamente subiria a mais de R$ 3,5."

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