Washington Alves/Estadão
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Se dólar ficar nesse nível, será difícil evitar repasse a preços de carros, diz Anfavea

Segundo o presidente da associação, Luiz Carlos Moraes, moeda americana afeta diretamente o valor das peças e componentes que são importados pelas fábricas

Eduardo Laguna, Especial para o Estadão

23 de junho de 2020 | 19h48

Diante da pressão sobre componentes importados vinda de um dólar que fechou nesta terça-feira, 23, cotado a R$ 5,15, as montadoras não terão outra saída a não ser repassar esse custo ao preço final dos veículos.

O aviso foi dado hoje por Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores​ (Anfavea), a entidade que representa os fabricantes de automóveis, numa videoconferência em que o executivo salientou que o setor precisa resolve hoje uma difícil equação. Nela, existe de um lado uma demanda reduzida e que só pretende consumir se houver alguma vantagem financeira, e de outro a necessidade de aumento de preços para garantir uma rentabilidade que justifique a produção.

Segundo Moraes, haverá casos em que as montadoras conseguirão fazer um repasse mais escalonado do maior custo cambial, mas determinados modelos podem ficar inviáveis se não houver reajuste.

“Se o dólar ficar nesse nível, acho que fica difícil evitar qualquer repasse no custo [do automóvel]” disse Moraes, acrescentando que o efeito cambial não é só nas peças que as montadoras importam, mas também nos componentes importados por fornecedores que abastecem as linhas. “O impacto na cadeia é relevante”, salientou o presidente da Anfavea.

Ao ser questionado sobre quando as vendas de veículos no País poderiam voltar a um ritmo que possa ser considerado normal - algo próximo de 10 mil unidades por dia -, Moraes respondeu que hoje é difícil fazer essa previsão e disse seguir preocupado porque o mercado ainda vai passar por momentos difíceis.

De acordo com ele, embora as vendas tenham alcançado neste mês picos diários de 7 mil veículos, a média de junho ainda está baixa: ao redor de 5 mil unidades por dia. Há uma melhora marginal nos volumes, porém Moraes ponderou que parte das vendas são, na verdade, “residuais” - ou seja de negócios fechados ainda em abril ou maio, mas emplacados apenas agora porque os Detrans estavam em grande parte fechados em razão da quarentena.

“Tem um aumento de emplacamentos, mas é difícil avaliar o quanto é resíduo e quanto é venda efetiva de junho”, observou.

Pesquisa

O presidente da Anfavea fez os comentários durante a divulgação de uma pesquisa sobre mudanças de comportamento e intenções de consumo pós-quarentena feita com usuários do site Webmotors.

O levantamento mostrou, entre outras coisas, que entre os visitantes do site com interesse em comprar carro, 64% adiaram a aquisição por até seis meses em razão, principalmente, da incerteza financeira - como o risco de desemprego - e da falta de boas condições de financiamento, ou porque precisavam ver o carro pessoalmente, algo que não era possível com o isolamento social.

O medo de contaminação por coronavírus deixou, porém, de ser o principal motivo de não comprar o automóvel. Na pesquisa, feita em maio, 24% disseram que adiaram a compra por conta do risco de infecção em concessionárias ou nas negociações envolvendo a compra de um veículo usado.

A maioria respondeu que poderia mudar de ideia e antecipar a compra se os seus carros usados fossem vendidos por 100% do preço da tabela Fipe, ou se o governo reduzisse os impostos e os bancos cortassem os juros.

Os resultados da pesquisa mostram, segundo Moraes, que as marcas só vão conseguir atrair o consumidor num momento de baixa confiança se oferecerem a ele algum benefício.

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