Se escolha do plano de previdência for mal feita, investidor pode ter prejuízo

Nesta época, bancos oferecem planos em grande escala sob o argumento do benefício tributário; especialistas alertam para riscos

YOLANDA FORDELONE , ESTADÃO.COM.BR , ROBERTA SCRIVANO, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2011 | 03h07

Um dos produtos financeiros mais procurados no fim do ano é a previdência privada. As instituições ampliam fortemente a divulgação da modalidade para, sob o argumento da vantagem tributária, vender mais planos. Especialistas em planejamento financeiro e investimentos, porém, dizem que é preciso cuidado antes de aderir a planos desse tipo.

"O produto é bom. Mas deve ser bem usado, de acordo com o perfil específico do investidor, o que muitas vezes não acontece", comenta o consultor Mauro Calil.

"É comum aumentarem as campanhas nos bancos para a venda do produto nessa época. No impulso de abater imposto, o investidor pode acabar escolhendo errado", diz Calil. "Não é incomum a inflação deixar o rendimento líquido baixo, menor do que o da poupança, se a escolha não for a certa."

Uma das principais dúvidas sobre os planos - que pelos nomes complexos podem gerar engano no investidor - se refere ao benefício tributário dos PGBLs e dos VGBLs.

"Investir em um plano PGBL sem utilizar o benefício é um erro muito comum", exemplifica o superintendente da HSBC Seguros, Gustavo Lendimuth. O PGBL é indicado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda, pois no momento de recolher o IR o investidor pode o que investiu no plano para reduzir a base de cálculo do tributo em até 12% da renda bruta anual.

"Supondo que o aplicador tenha uma renda bruta anual de R$ 100 mil e que investiu 12% (R$ 12 mil) em um PGBL. Ele poderia abater o valor na declaração e pagar IR somente sobre R$ 88 mil", explica a diretora da SulAmérica, Carolina de Molla. Ao final do investimento, quando o valor da previdência for sacado, o investidor deverá pagar IR sobre o valor total sacado. "O benefício fiscal não é uma isenção de imposto. É um adiamento que a longo prazo é interessante já que o dinheiro do imposto que ainda não foi cobrado estará rendendo", diz Lendimuth.

Se o valor investido no PGBL ultrapassar 12% da renda, já vale a pena fazer um segundo plano VGBL. Essa também é a melhor opção para pessoas isentas de IR ou que fazem a declaração simplificada. No VBGL não há redução da base do IR, mas o imposto cobrado na retirada do dinheiro recai somente sobre os rendimentos do período.

A taxa de administração também exige cuidado do investidor. Calil calcula que há cinco anos as rentabilidades líquidas dos planos ficavam em torno de 18%, com taxa de administração média de 1%. Segundo ele, a taxa não caiu, mas o retorno está em aproximadamente 9%. "Então, deve-se buscar planos com administração de até 1,5% e taxa de carregamento nula."

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