Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Se esse protecionismo vier em forma de novos subsídios, nós teremos problemas', diz Maggi

Para o ministro da Agricultura, o setor de exportações pode sofrer com a eleição de Donald Trump nos EUA

Erich Decat, Broadcast

09 de novembro de 2016 | 13h03

BRASÍLIA - O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, considerou nesta quarta-feira que o Brasil poderá "ter problemas" no setor de exportações caso o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, adote de fato uma postura "protecionista" dos produtos norte-americanos, como prometeu durante à campanha. 

Entre as propostas defendidas por Trump ao longo da disputa pela Casa Branca está a de renegociar os acordos comerciais firmados pelos EUA para preservar empregos no país e reduzir o déficit americano nas transações com o resto do mundo.

"Penso que a relação pode piorar sim. Talvez o que vai mais incomodar não é o acesso dos produtos agrícolas nos EUA. A nossa pauta de mercadorias para eles é de produtos que eles não produzem por lá. Então, não há uma competição interna em muitos produtos brasileiros lá. Mas, eles são muitos fortes em áreas que somos competidores mundo afora. E se esse protecionismo vier em forma de novos subsídios para a agricultura norte-americana, ai nós teremos problemas", afirmou Blairo Maggi ao Estadão. 

Apesar dos receios, na avaliação do ministro um dos reflexos de ampliação do protecionismo por parte do novo governo norte-americana seria a retaliação de outros países também atingidos pelas medidas. 

"Se pegarmos a China, por exemplo, se ela tiver sanções de algo que produzem para os Estado Unidos, óbvio que podem também decidir, por exemplo, que deixarão de comprar mais carne deles. È um tipo de raciocínio que pode ocorrer. Por isso que eu falo, não é porque você ganhou uma eleição, que você faz o que pensa que quer fazer, tem regras, tem compromissos, que faz você repensar as coisas que declarou durante as eleições", disse Maggi

Incertezas. A conversa do ministro com a reportagem, ocorreu logo após ele se reunir em Brasília com representantes da empresa norte-americana John Deere. "Também perguntei para eles, o que ia acontecer agora. Todos me disseram que ninguém sabe", disse Maggi. 

Questionado se essa incerteza também não causaria instabilidade no setor, o ministro respondeu: "Acho que sim, mas Trump é um fato consumado. Deixadas as paixões de lado temos que aguardar para ver os rumos que serão dados".

A primeira ida de Maggi aos Estados Unidos, após a eleição de Trump, está prevista para ocorrer no próximo mês de fevereiro, ocasião em que pretende avançar com alguns acordos bilaterais.

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