‘Se eu deixar de aumentar, perco dinheiro’

Alta dos custos é o principal motivo citado pelos prestadores de serviços para reajustar preços

O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2014 | 02h05

A justificativa dos prestadores de serviços para aumentar preços na virada do ano é uma só: os próprios aumentos de custos. Mas os porcentuais de reajuste são muito superiores aos índices de inflação. Em 2013, o IPCA subiu 5,91%.

Wanderley de Azevedo, que há cinco anos trabalha com transporte escolar, aumentou a mensalidade entre 10% e 12% de dezembro para janeiro. Foi o ano em que ele aplicou o maior reajuste de preço. Na virada de 2012 para 2013, Azevedo tinha aumentado a mensalidade do transporte escolar entre 5% e 7%.

"Dependo muito do preço do óleo diesel, que foi reajustado no fim do ano passado", diz ele. Segundo Azevedo, houve reajustes nos preços das peças do carro, na mão de obra para manutenção do veículo, no valor do seguro, entre outros. "Tudo sobe e, se eu deixar de reajustar, tenho queda no ganho."

Lídia Gottschall, que trabalha há 25 anos com transporte escolar, também elevou o preço da mensalidade em 10%. Ela atribui o aumento às pressões de custos, como o diesel S10 que, segundo ela, custa 20% a mais do que o comum. Como Lídia trocou de carro, o veículo novo só pode usar esse combustível. "Além disso, o pneu subiu entre 20% e 25% e o valor do seguro está um absurdo."

Café da manhã. Além de olhar para os próprios custos, a justificativa dos prestadores de serviços para reajustar preços são as mais variadas. O encanador João Luiz Alves Monteiro, especializado em vazamentos, conta que aumentou em 20% os preços de serviços comuns de encanador na virada do ano por causa dos reajustes que tem sentido nas despesas do dia a dia.

"O motivo principal foi o aumento da gasolina, mas os preços do pãozinho e do café da manhã subiram", lembra ele. Outro dia, conta Monteiro, ele e o ajudante gastaram, cada um, R$ 4,20 para tomar uma xícara de café com leite e comer um pão na chapa. "Antes custava R$ 3", diz ele. Nesse caso, a alta do preço do café da manhã foi de 40%.

Monteiro observa que existe uma diferença crucial entre o reajuste feito por ele no preço dos serviços que presta e o praticado pelo dono da padaria no preço do café da manhã. "O meu preço é negociável, o da padaria não", diz.

É exatamente "testando" o mercado que os prestadores de serviços ajustam os aumentos de preço. A cabeleireira Alcedina Gomes da Silva Oliveira aumentou em 20% o preço do corte de cabelo, de R$ 40 para R$ 50, no fim do ano passado. Mas às terças e quartas-feiras ela dá desconto de 20%. Segundo a cabeleireira, não houve perda de clientes por causa do reajuste.

Ela observa que nos últimos anos era possível absorver os reajustes. "Mas no ano passado foi uma coisa exagerada", reclama. O estopim do aumento de custo foi a alta do aluguel, seguida por reajuste nos preços de vários produtos que ela usa para tratamento capilar, além do IPTU, água e gás. "Quando percebi que a receita não cobria a despesa, decidi reajustar. Desde 2008 que eu não aumentava preço."

Também muito tempo sem reajustar preço e o valor defasado da consulta levaram um oftalmologista, que não quis ser identificado, a elevar de R$ 300 para R$ 360 os seus honorários na virada do ano. / M.C.

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