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Se faltar álcool, governo reduzirá mistura na gasolina

Após quase duas horas de reunião com a cadeia produtiva do açúcar e do álcool, o governo manteve a ameaça de reduzir a mistura de anidro na gasolina dos atuais 25% para 20% caso venha a ocorrer falta do produto no mercado interno nos próximos meses. ?Reduzir a mistura de anidro é a única alternativa que o governo tem para colocar mais álcool no mercado?, disse hoje o secretário de produção e comercialização do Ministério da Agricultura, Pedro de Camargo Neto.Segundo ele, a medida deverá ser decidida pelos ministros da Agricultura, Fazenda, Minas e Energia, e Desenvolvimento, que integram o Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima), e poderá ser tomada mesmo que venha ter impacto nos preços da gasolina e, por consequência, nos índices de inflação.O secretário reconheceu que não foi possível formar estoques estratégicos de álcool nesta safra porque o financiamento de R$ 500 milhões, com recursos da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide), não foi liberado a tempo. ?Problemas burocráticos atrasaram a liberação dos empréstimos?, afirmou. O dinheiro está chegando somente agora aos bancos, quando a moagem da cana-de-açúcar está acabando.Camargo Neto afirmou que, para cada ponto percentual de redução da mistura de anidro na gasolina, 20 milhões de litros ficam disponíveis. Isso significa que se a redução para 20% for autorizada a partir de janeiro do ano que vem ? uma data que ele julga conveniente - , seriam colocados 100 milhões a mais de litros de álcool no mercado, ou um total de 500 milhões de litros. Esta quantia é suficiente para cobrir a metade do consumo mensal.A preocupação do governo é suprir a demanda de álcool até abril do ano que vem, quando começa a moagem da cana-de-açúcar da safra do Centro Sul. O diretor do Departamento de Açúcar e do Álcool do Ministério, Angelo Bressan, informou que em primeiro de dezembro próximo haverá um estoque de 5 bilhões de litros de álcool em poder do setor privado. ?Vamos enfrentar uma situação igual a do ano passado, bastante ajustada, mas não faltará álcool?, assegurou Camargo Neto.O presidente da União da Agroindústria Canavieira (Unica), Eduardo Carvalho, garantiu o suprimento de álcool, embora tenha se negado a revelar qual o estoque retido pelos produtores. ?Não faltará um litro de álcool?, garantiu, acrescentando que os preços do álcool subiram porque estão atrelados ao preço da gasolina, que tem o preço vinculado as oscilações do petróleo importado. ?O preço do álcool é 60% do preço da gasolina?, disse.Segundo ele, os preços do álcool também subiram devido a entressafra e porque o governo represou os preços da gasolina. ?Todo mundo sabe que o governo, contrariamente ao que prometeu, conteve ? eleitoralmente ? os preços da gasolina nos últimos quatro meses, porque queria eleger José Serra presidente?, afirmou.O presidente da Unica disse que somente em Brasília está havendo exorbitância na cobrança dos preços do álcool. Afirmou que relatório da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostra que no período de três a nove deste mês, enquanto as distribuidoras vendiam o produto a R$ 1,02 o litro, os postos de gasolina de Brasília cobravam R$ 1,62 do consumidor, com uma margem de R$ 0,62 por litro de álcool. ?Isso é caso de polícia?, disse.Com relação ao açúcar, Eduardo Carvalho disse que o aumento ocorreu porque o produto é vinculado ao mercado internacional, onde houve uma recuperação dos preços.

Agencia Estado,

13 de novembro de 2002 | 18h55

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