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Se fluxo de capitais se inverter, País sofrerá, diz Tombini

Presidente do BC afirma que 'reversão pode gerar problemas principalmente no lado real da economia'

JAIR RATTNER , ESPECIAL PARA O ESTADO/ LISBOA, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2011 | 06h06

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou ontem, em Lisboa, que é necessário haver uma coordenação das políticas econômicas dos países no âmbito internacional para enfrentar a crise. No discurso que fez sobre a situação econômica internacional durante a XXI Reunião de Governadores de Bancos Centrais de Países de Língua Portuguesa, Tombini disse: "Se nenhuma ação de envergadura for tomada, a perspectiva é de agravamento da crise. Por isso, (a posição do Brasil é que) queremos coordenar as políticas macroeconômicas em escala global". Ele não atribuiu ao Brasil um papel de responsabilidade na coordenação do esforço internacional.

Ele defendeu que o Brasil está em condições de enfrentar uma nova crise. "Adotamos uma série de medidas para conter a inflação. Foram adotadas medidas na área do crédito, dos fluxos de capitais, tanto físicos como de derivativos, e isso levou ao fortalecimento da capacidade do País de enfrentar as pressões. Estamos preparados para um cenário como o de 2008." Entre as possíveis situações que a economia brasileira poderia enfrentar encontra-se a de uma interrupção dos fluxos de investimentos. "Em relação às perspectivas, estamos preparados para uma parada dos fluxos. É um cenário com que não gostaríamos de lidar, mas estamos preparados. O ponto crítico é o crescimento das economias maduras".

No entanto, o País poderia sofrer, caso ocorresse uma reversão dos principais fluxos de remessas, que atualmente têm no Brasil um mercado atrativo - nos primeiros três meses de 2011 o volume de entrada de divisas ultrapassou o conjunto do ano de 2010.

"Esse fluxos, ainda que em parte, respondem às boas perspectivas da economia brasileira a um futuro promissor. Mas uma parte importante é reflexo de condições de oferta de recursos que não permanecerão. Haverá um momento de normalização das condições e essa reversão de fluxo pode gerar problemas não só no setor financeiro, mas principalmente no lado real da economia."

Desaceleração. Segundo Tombini, as perspectivas não são positivas. Ele disse que "nesses últimos dois meses, o cenário de desaceleração tornou-se mais explícito. Os indicadores que antecipam tendências sinalizam que os indicadores estão mais frágeis do que se supunha". Na opinião de Tombini, esta seria uma segunda etapa da crise de 2008, cujo epicentro estaria localizado na situação fiscal das economias maduras.

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