Oliver Douliery/AFP
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'Se fosse uma empresa privada, eu sei o que eu faria', diz Guedes sobre greve dos petroleiros

Ministro critica grevistas e sugere que seriam demitidos se fossem funcionários de empresa em que ele fosse o presidente

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2019 | 21h51

WASHINGTON - O ministro da Economia, Paulo Guedes, sugeriu que demitiria os grevistas da Petrobrás se a estatal fosse uma empresa privada comandada por ele. “Você tem excelentes salários (na Petrobrás), bons benefícios, você tem quase estabilidade de emprego e tenta usar o poder político para tentar extrair aumento de salário no momento em que há desemprego em massa? Se fosse uma empresa privada e eu fosse o presidente de uma empresa privada, eu sei o que eu faria”, afirmou o ministro. “Cheio de gente procurando emprego e tem gente que fica fazendo greve?”, criticou o ministro, em entrevista coletiva em Washington, nesta segunda-feira.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), representante de uma parcela dos empregados da Petrobrás, entre eles os trabalhadores das plataformas instaladas na Bacia de Campos, manteve a decisão de realizar uma greve de cinco dias a partir desta segunda-feira, 25. A reivindicação é pela valorização da segurança e emprego dos trabalhadores, que, segundo a entidade, está em risco por conta das demissões dos últimos anos. 

Segundo o sindicato, algumas unidades da refinaria Rlam, instalada na Bahia, podem parar entre a noite desta segunda e terça-feira por falta de revezamento de turnos.

O ministro disse que o governo não estuda a privatização da Petrobrás e nem articula demissões dos grevistas, mas que o posicionamento sobre a situação atual dos petroleiros é a sua “reação natural”.

“O que eu sei é que a petrobras foi destruída e eles (petroleiros) estavam trabalhando lá, deveriam ter evitado a destruição da petrobras. Tomara que eles estivessem bem alertas nesse tempo todo para merecer o aumento (salarial)”, disse o ministro. 

Após intervenção de um repórter que afirmou que os grevistas não são os integrantes da direção da empresa – que tomaram medidas decisórias na época do escândalo de corrupção que atingiu a Petrobrás, o ministro seguiu: “Por que não houve uma greve na época para parar o assalto na petrobrás? Petroleiros deveriam estar celebrando a recuperação financeira da empresa. Quando ela estava quebrada ninguém pediu para abaixar o salário, né?”.

Guedes participou hoje em Washington do Fórum de Altos Executivos Brasil-EUA. A reunião de 20 executivos de empresas que atuam nos dois países foi retomada depois do encontro do presidente Jair Bolsonaro com Donald Trump, em março, e tem como objetivo identificar pontos em que os dois países podem facilitar comércio e investimentos.

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