Se gasolina aumentar 10%, IPC de agosto sobe para mais de 1%

O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Paulo Picchetti, disse hoje que, se o preço da gasolina for mesmo reajustado em 10%, a inflação de agosto poderá superar a marca de 1%.Ele revisou a sua projeção para agosto, de 0,80% para 0,90%, considerando apenas o impacto do preço do tomate (veja no link abaixo). Mas, quando a conta utiliza o eventual aumento do combustível, a taxa sobe para 1,05%, considerando uma pressão da gasolina de 0,30 ponto porcentual, dividido entre agosto e setembro.Picchetti fez questão de ressaltar que o aumento da gasolina restringe-se ainda a previsões do mercado financeiro. Segundo ele, ainda não há nada de oficial sobre o assunto. "O negócio é que o pessoal percebeu que a Petrobras sempre espera o dia 15, para diluir um impacto dos aumentos dos combustíveis. Como já está chegando a data, o mercado já começa a especular com a possibilidade do aumento.O economista da Fipe reiterou que o aumento da gasolina e do álcool combustível no final da semana passada será diluído na inflação. Isto porque o impacto do reajuste do álcool (0,07 ponto porcentual sobre o IPC), será compensado pelo impacto negativo de 0,07 ponto, decorrente da queda de 8% nos preços de pacotes de viagens, com o término das férias de inverno. O mesmo deverá ocorrer com o aumento de 1,5% para a gasolina porque, na ponta, antes do anúncio do aumento, o produto já mostrava uma queda de 2%.Pressão de preços administradosPicchetti destacou que a inflação continua sendo determinada por um pequeno grupo em que se concentram os preços administrados. Esse grupo saiu de uma alta de 0,86%, no fechamento de julho, para 1,13% na primeira parcial de agosto.Na visão dele, os preços livres continuam comportados por imposição da política monetária. Um exemplo disso, segundo ele, são os preços industrializados, cujo ritmo de alta caiu de 0,24% na terceira quadrissemana de julho para 0,1% no fechamento do mês e se manteve praticamente estável na primeira quadrissemana de agosto, em 0,02%.

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