Felipe Rau|Estadão
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Se governo controlar gastos, meta de inflação pode ir a 3%, diz MB Associados

Para a consultoria, haverá mais tempo para que a equipe econômica possa fazer uma coordenação entre as política monetária e fiscal

Alexa Salomão, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2017 | 13h03

A decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de baixar a meta de inflação foi elogiada pela consultoria MB Associados em nota divulgada na manhã desta quinta feira. Na avaliação da equipe da MB, a decisão “foi melhor do que o esperado”. O texto, assinado pelo economista chefe da MB, Sérgio Vale, destaca que já se imaginava que a meta iria para 4,25% em 2019. Mas, além disso,considerou “benéfica” a opção de baixar a meta para 4% em 2020, sinalizando um período maior, de três anos, para atingi-la.

Com esse prazo de três anos, avalia Vale, haverá mais tempo para que a equipe econômica possa fazer uma coordenação entre as política monetária (do Banco Central, que trata do controle da inflação) e fiscal (no Ministério da Fazenda, voltada a equilibrar receitas e despesas das contas públicas).  

A MB ressalta a importância dessa coordenação, lembrando que a queda da inflação pode ser comprometida se não houver medidas efetivas para cortar despesas. No aspecto fiscal, o cenário ainda é incerto. “Esperar quedas adicionais (da inflação) nos próximos anos dependerá essencialmente do andamento da questão fiscal. A reforma da Previdência mais completa ficará para 2019, mas apenas se um candidato com visão reformista ganhar, o que está longe de ser líquido e certo por hora”, diz o texto.

Se houver um efeito controle dos gastos, Vale acredita que a inflação pode ceder ainda mais. “A depender da continuidade do ajuste fiscal, não será difícil ver a meta de inflação mais próxima de 3% na próxima década, o que ajudará a manter a taxa nominal e real de juros mais baixa, já que inflação menor demandará menos necessidade de taxa real de juros elevada”, diz o texto.

++ Veja a íntegra do voto que revisou a meta de inflação para 4,25% em 2019

Câmbio. Na avaliação da consultoria, o risco em relação à questão fiscal e o cenário político ainda podem colocar alguma pressão na taxa de câmbio, lembrando um pouco o cenário de 2002. Naquele momento, durante a campanha que levou Luís Inácio Lula da Silva ao seu primeiro mandato como presidente da república, o dólar chegou a bater em R$ 4.

Quando o câmbio tem esse tipo de impacto, acaba por também por pressionar o preço dos produtos importados, pressionando também a inflação. Mas mesmo essa pressão, avalia a MB, não será “mortal” para a tendência de queda dos índices de preços.

“O que nos protege de haver uma depreciação muito mais grave deverá ser o setor externo sob controle”, diz Vale. Também vai pesar a favor do controle do câmbio e, por conseguinte do controle da inflação, o elevado nível de reservas internacionais e dívida externa baixa.

 

 

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