Se mantidos tributos, energia deverá subir 20% até 2015

O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Luiz Carlos Guimarães, estimou nesta quarta-feira que até 2015, a tarifa média de energia cobrada dos consumidores no País deverá subir cerca de 20% em relação aos preços atuais. "Isso se forem mantidos, como estão hoje, os tributos e encargos do setor", ponderou. Ou seja, se a tributação sobre a energia subir, esse aumento pode ser ainda maior. Guimarães fez a estimativa a partir dos dados do Plano Decenal de Expansão do Setor Elétrico, elaborado pelo governo e divulgado em março deste ano. Segundo ele, com base nesse plano, que prevê investimentos de cerca de R$ 125 bilhões em geração e transmissão de energia para os próximos dez anos, a entidade calculou que os custos de geração de energia subirão 33% até 2015 e os de transmissão, 35%, o que fará as tarifas subirem também para o consumidor."Acho que uma das maneiras mais efetivas de evitar esse aumento nas tarifas é tentar reduzir os tributos e encargos sobre energia, uma vez que a geração e a transmissão vão subir em virtude dos custos ambientais, que serão crescentes, e também pelo fato de estarem sendo trocados antigos contratos de fornecimento de energia por contratos mais novos", afirmou Guimarães. Atualmente, os tributos e encargos equivalem a mais de um terço da conta paga pelos consumidores, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Nelson Hubner, que participou na quarta-feira com Guimarães de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, concordou que, de fato, há uma tendência de custos "um pouco mais elevados" para a energia, principalmente por conta dos custos ambientais e da distância dos principais novos projetos de geração (a maioria na Região Norte) dos mercados consumidores (no Centro-Sul).Apesar de não falar em valores, Hubner disse, entretanto, que esse aumento de preço deverá ser menor do que o projetado pela Abradee. "Ainda temos muita gordura para ser queimada na geração de energia", afirmou, opinando que os custos da geração de energia deverão ser contidos, no futuro, quando aumentar a competição entre os agentes, nos leilões de energia nova. Segundo ele, isso ocorrerá graças a uma maior oferta de projetos de novas usinas, em novos leilões a serem realizados pelo governo."Na hora em que houver mais competição, esses custos vão cair, e isso deverá acontecer nos próximos leilões", afirmou Hubner.

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