Se Morales pedir, EBX fica na Bolívia

O dono da siderúrgica EBX, o empresário Eike Batista, admitiu nesta sexta-feira que poderia manter seus investimentos na Bolívia, apesar de já ter anunciado a decisão de sair. Mas, para isso, seria necessário que o presidente Evo Morales ouvisse o detalhamento dos planos de permanência da companhia. "Seria brilhante o presidente Morales pedir para que voltássemos", afirmou. As afirmações foram na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), durante ato de solidariedade da entidade ao empresário. Porém, Batista afirmou que "não existe dialogo entre nós e o governo boliviano. O presidente disse que não nos quer lá e nós vamos sair". Apesar de não ter recebido nenhum comunicado oficial pedindo a retirada da companhia, o empresário afirmou que as declarações feitas por Morales e por seu vice "já parecem suficientes". Batista disse ainda que a empresa sempre operou sozinha na Bolívia, de acordo com as leis. Ele afirmou também que o governo boliviano quer 51% dos ativos das empresas estrangeiros, o que deve ser adotado apenas em novas empresas que chegam ao país, e não as que já possuem acordos firmados anteriores à decisão. O empresário encaminhou ontem ao governo federal uma carta, em que procura mostrar a legalidade do projeto siderúrgico da EBX na Bolívia. O empresário disse esperar que o documento chegue às mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Recuperação de investimento Batista reiterou que pode recuperar US$40 milhões de um total de US$60 milhões investidos na planta da siderúrgica. Mas, caso Morales decida nacionalizar os ativos, como tem dado a entender, "o prejuízo será muito maior. Estamos muito confiantes de que o governo brasileiro se posicionará a favor da proteção dos ativos das empresas brasileiras na Bolívia". Porém, apenas o diretor do departamento de Comércio Exterior da entidade, Roberto Giannetti da Fonseca, mencionou em um discurso durante encontro de empresários brasileiros e bolivianos a importância do cumprimento de contratos para se evitar o que vem acontecendo com empresas brasileiras na Bolívia. O empresário afirmou que a seria importante Morales entender sobre a possibilidade da siderúrgica ser o maior investimento estrangeiro na indústria de transformação da Bolívia, empregando 6 mil pessoas e colocando o país no mapa siderúrgico mundial.

Agencia Estado,

28 Abril 2006 | 14h40

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.