Paula Whitaker/Reuters
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Coluna

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‘Se nada mudar, a Oi fica insustentável’, diz presidente da companhia

Rodrigo Abreu afirma que empresa precisa garantir capacidade de investimento para sobreviver no longo prazo

Entrevista com

Rodrigo Abreu, presidente da Oi

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2020 | 05h00

Após a Oi apresentar uma nova versão de aditamento ao seu plano de recuperação judicial e fazer concessões para atender os bancos credores, o presidente da operadora, Rodrigo Abreu, afirma estar confiante de que conseguirá uma aprovação dos novos termos na assembleia geral de credores, agendada para 8 de setembro.

O executivo argumenta que a alteração é necessária para a tele conseguir amortizar dívidas e garantir os investimentos futuros. Sem isso, a Oi corre o risco de quebrar nos próximos anos, alerta. “Se nada mudar, a companhia perde sua capacidade de investimento e fica insustentável no longo prazo”, manda o recado.

A nova proposta da Oi ameniza os descontos aos credores, antecipa pagamentos e adia distribuição de dividendos aos acionistas. As concessões foram feitas na tentativa de apaziguar as objeções dos bancos credores à primeira proposta de aditamento ao plano.

A versão atualizada também prevê um corte de 50% na dívida de R$ 12 bilhões que detém junto da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

A seguir, trechos da entrevista.

As novas alterações no plano de recuperação são suficientes para atender os credores?

Existe confiança da nossa parte na possibilidade da aprovação. Fizemos várias modificações para dar segurança a todos. Mas uma empresa só é capaz de dar segurança aos credores se se recuperar de fato.

Um acordo com os credores já foi construído?

Numa situação complexa como essa, o normal é ter discussões avançando até o dia da assembleia. Vale lembrar que na última ocasião (2017, quando foi aprovado o plano original de recuperação), as negociações continuaram durante a própria assembleia até a madrugada. Hoje o nível de complexidade é menor. Então achamos que será menos complicado.

O que acontece o aditamento ao plano não for aprovado? A empresa pode quebrar?

Sem a aprovação, voltamos para casa e fazemos nova modificação no plano para buscarmos um voto favorável numa assembleia futura. Esperamos que isso não aconteça. Após as conversas que tivemos, esperamos que a reação dos credores seja favorável. Mas, se nada mudar, não tivermos nenhuma melhora, a companhia perderá capacidade de investimento e ficará insustentável no longo prazo. Estamos indo bem do lado operacional, estamos controlando custos, mas o que falta para tornar o negócio sustentável é o lado financeiro. E para isso é preciso aprovar o aditamento ao plano.

O que levou a Oi a elevar de R$ 6,5 bilhões para R$ 20 bilhões a sua expectativa de lance mínimo pela venda da participação no negócio de fibra ótica, a Infraco?

Na primeira proposta de aditamento ao plano de recuperação, apresentada em junho, estávamos numa fase preliminar, recebendo as primeiras manifestações dos interessados, que fizeram avaliações a partir de um pacote básico de informações. Então, apontamos o valor de R$ 6,5 bilhões como mínimo para uma participação de 25% a 51% no negócio. De lá para cá, concluímos a fase de receber propostas e chegamos a essa número de R$ 20 bilhões, que é mais interessante. E acreditamos que podemos chegar a um número ainda maior, porque a Infraco é um negócio que já vai nascer grande.

Quantas ofertas não vinculantes foram recebidas até aqui pela Infraco?

Não damos o número preciso. Mas são mais de dez.

Vivo e TIM também já anunciaram que pretendem atrair investidores para desenvolver braços de negócios de fibra ótica. A Oi terá que disputar a atração de investidores com as rivais?

Acho que não. E a explicação está na diferença de escala das operações. A Infraco vai nascer com 10 milhões de casas passadas com fibra e 3 milhões de casas conectadas. Quando olhamos para o segundo maior player de fibra (Vivo), ela nascerá com 1 milhão de casas passadas. Além disso, nós vamos expandir a atuação em regiões onde já temos infraestrutura presente. As outras competidoras estão mirando chegar a regiões onde ainda não atuam. Estamos falando de escalas e conceitos de negócios diferentes. O nosso é mais completo e isso vai fazer diferença para os investidores.

Em relação à negociação para venda da rede móvel, o que falta definir qual proponente terá prioridade no leilão? Se será a oferta conjunta de TIM, Vivo e Claro ou a da Highline?

Estamos no meio das negociações dos termos de compra e venda, assim como das obrigações que envolvem essa transação. A nossa visão é neutra, não tem preferência por oferta A ou B, mas sim a que traga mais valor para a companhia e apresente condições de viabilizar as obrigações assumidas da transação.

As duas ofertas são viáveis, considerando eventuais restrições regulatórias e concorrenciais? A partilha da Oi Móvel entre TIM, Vivo e Claro tem um risco de veto pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por gerar concentração de mercado. Já a Highline enfrenta desconfiança por nunca ter prestado serviço diretamente ao consumidor final.

Entendemos que o cenário regulatório e concorrencial de cada oferta tem diferenças, mas ambas têm condições de acontecer. É questão de negociar os termos.

Quais termos, por exemplo?

De um lado (venda para o consórcio), tem um processo complexo de separação para dividir para o ativo entre mais de um operador. Do outro lado (venda para Highline) teríamos que assumir obrigações de transição, como gestão dos clientes para manter a operação

Quanto tempo vai levar para concluir a venda da rede móvel?

Em ambos os casos, entendemos que a venda não teria uma resolução imediata, justamente porque envolvem discussões sobre aspectos concorrenciais e regulatórios. Imaginamos o fechamento desta operação só no fim de 2021.

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