Beto Barata|PR
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'Se não cuidarmos dos gastos, em 2023 serão 100% PIB e Brasil irá à falência', diz Temer

Temer disse ainda que o Brasil está preparado para conter os gastos públicos e que ela é 'fundamental para o país'

Carla Araújo, Broadcast

09 Novembro 2016 | 10h59

BRASÍLIA  - O presidente Michel Temer rebateu mais uma vez as críticas a PEC do teto dos gastos e disse que, ao contrário da oposição, que tem chamado a matéria de PEC da morte, ele chama de "PEC da Vida". "O Estado é mais ou menos como a sua casa. Temos um déficit de R$ 170 bilhões, isso significa quase 70% do PIB. Nas projeções que estão sendo indicadas se não cuidarmos da contenção dos gastos, em 2023, 2024, será 100% do PIB, ou seja, o Estado brasileiro irá a falência", disse, em entrevista à rádio Itatiaia. 

Temer disse ainda que o Brasil está preparado para conter os gastos públicos e que ela é "fundamental para o país". "As pessoas não leem a PEC, ou tem má vontade", disse Temer, ressaltando também que tem recomendado que as pessoas leiam o Orçamento de 2017 para ver que a  medida não vai tirar recursos de áreas como saúde e educação. "Mandamos um orçamento como a PEC já tivesse sido admitida", disse. 

O presidente reafirmou que o teto é "geral" e que o governo terá "setores prioritários". "Nós aumentamos as verbas para saúde e educação e evidentemente teremos que tirar de outros setores", afirmou. 

Temer destacou o apoio do Congresso a votação e disse que isso demonstrado que o Brasil está preparado para conter os gastos. "A primeira coisa que se cobra: primeiro o poder público vê o que pode fazer consigo para depois pensar em impostos, coisas dessa natureza", disse. 

Ao ser questionado sobre posição de especialistas contrários a PEC, Temer recomendou que "façam a leitura dessas matérias". 

Previdência. Michel Temer afirmou, em entrevista à rádio Itatiaia, que vai enviar ainda este ano ao Congresso o texto da Reforma da Previdência. Questionado se a reforma vai atingir a todas as classes, incluindo militares e parlamentares, Temer disse que as novas regras "vão igualar a todos". "Nós temos fortíssimas regras de transição. Essas regras de transição significam que as coisas serão feitas ao longo do tempo, porque nós vamos fazer uma coisa absorvível, que o povo possa absorver, que a classe política possa absorver, mas vamos fazer", disse. "Enviarei esse ano. Evidente que as discussões e a eventual aprovação só no ano que vem."

 

Temer afirmou ainda que pesquisas mostram que grande parte da população é a favor da reforma da Previdência e citou a situação do Rio de Janeiro, onde houve protestos contra um pacote de austeridade, mas onde a Previdência foi responsável por quase quebrar o Estado. "O que vai acontecer no Brasil daqui uns anos é exatamente isso. Esse ano nós temos um déficit da Previdência de R$ 150 bilhões. Nenhum país aguenta isso", afirmou. "Se não fizer alguma coisa para arrumar a casa não há como consertar as coisas."

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