Saul Loeb/AFP -1/12/2018
Saul Loeb/AFP -1/12/2018

Se não for possível acordo comercial com a China, 'eu sou um homem-tarifa', diz Trump

Presidente americano e o líder chinês, Xi Jinping, acertaram uma trégua de 90 dias na guerra comercial que travam, enquanto negociam tarifas

Reuters

04 Dezembro 2018 | 16h03

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira, 4, que, se um acordo comercial com a China for possível, ele será feito, mas que se ambos os lados não resolverem as disputas, ele recorrerá a tarifas.

Trump disse que sua equipe de assessores comerciais sob o comando do negociador-chefe com a China, o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, determinará se um “real acordo”  é possível. “Se for, faremos ele”, disse Trump no Twitter. “Mas se não for, lembre-se, eu sou um homem-tarifa.”

O presidente republicano disse que não se oporia a uma prorrogação da trégua de 90 dias que ele e o presidente chinês, Xi Jinping, acordaram no fim de semana, durante encontro do G-20 em, Buenos Aires, e que congelará tarifas enquanto um acordo mais amplo é negociado.

“As negociações com a China já começaram. A menos que sejam prorrogadas, elas terminarão 90 dias a partir da data de nosso maravilhoso e caloroso jantar com o presidente Xi na Argentina”, disse Trump no Twitter.

Os dois líderes concordaram no fim de semana com um cessar fogo na guerra comercial que, através de tarifas, levou à interrupção de um fluxo de centenas de bilhões de dólares em bens entre as duas maiores economias do mundo.

Trump e Xi disseram que vão segurar a imposição de novas tarifas por 90 dias a partir de 1.º de dezembro, enquanto buscam uma solução para a disputa comercial.

Teste decisivo

O líder dos EUA disse que a China deve começar a comprar produtos agrícolas imediatamente e cortar suas tarifas de 40% sobre importações de carros americanos.

O assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou nesta terça-feira que uma redução nas tarifas chinesas sobre carros e commodities agrícolas e energéticas dos EUA será um “teste decisivo” para ver se as negociações comerciais EUA-China estão no caminho do sucesso.

Os EUA também esperam que a China tome uma atitude imediata para tratar de roubo de propriedade intelectual e transferências forçadas de tecnologia, afirmaram autoridades dos EUA. “Esperamos ter muito progresso e o presidente Trump estará diretamente envolvido”, disse o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, à Fox Business Network nesta terça-feira.

Há muito tempo Trump acusa a China de práticas comerciais injustas que prejudicam norte-americanos e a economia dos EUA. “Quando pessoas ou países entram para roubar a grande riqueza da nossa nação, eu quero que elas paguem pelo privilégio de fazer isso. Sempre será o melhor jeito de maximizar nosso poder econômico”, disse ele nesta terça.

A indicação do representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, para comandar as negociações em vez do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, coloca no comando um dos mais críticos à China dentro do governo. Trump disse pelo Twitter que Lighthizer trabalhará junto de Mnuchin, Kudlow e do assessor comercial Peter Navarro.

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