Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 20/4/2020
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Fábio Alves
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Se o Copom for tímido na alta da Selic, não será uma surpresa se o dólar varar R$ 6

Num ambiente de ruptura do regime fiscal, a alta de juros de até 1,5 ponto não será suficiente para aliviar a pressão sobre o dólar

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2021 | 04h00

Houve uma corrida de analistas e investidores elevando as apostas para a decisão do Copom, ao fim de sua reunião hoje, de alta da taxa Selic de 1 ponto porcentual para 1,5 ponto ou até 3 pontos, depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que o governo pretende, de fato, furar o teto de gastos, abandonando a única âncora fiscal em vigor.

Mas, mesmo que o Copom sancione essa visão do mercado de ruptura do regime fiscal e acelere o aperto monetário para o ritmo de 1,5 ponto, levando a Selic para 7,75% e ainda sinalizando que seguirá elevando os juros nessa magnitude, será isso suficiente para o Banco Central manter as expectativas de inflação ancoradas e evitar valorização adicional do dólar? A resposta é, provavelmente, não!

Na sua última reunião, o Copom traçou como “plano de voo” para fazer a inflação convergir à meta de 2022, de 3,50%, elevar os juros ao ritmo de 1 ponto porcentual até onde fosse necessário para atingir seu objetivo.

Até o anúncio de que o governo pretende gastar R$ 30 bilhões fora do teto para garantir um benefício de R$ 400 do programa Auxílio Brasil, até dezembro de 2022, o mercado vinha revisando para cima o patamar da Selic ao fim do ciclo de aperto monetário, mas sem mexer na aposta de alta de 1 ponto por reunião.

Agora, com o forte aumento nas projeções de inflação em 2022, além de um câmbio mais depreciado, é praticamente unânime a visão de que o “plano de voo” do Copom não faz mais sentido e que a situação exige altas de juros agressivas, além de uma taxa terminal mais elevada do que se imaginava até há pouco tempo. Vários analistas passaram a projetar juros a 10%, 11% e até 12% em 2022.

Num ambiente de ruptura do regime fiscal, alta de juros de até 1,5 ponto não será suficiente para aliviar a pressão sobre o dólar e fazer as expectativas inflacionárias convergirem para a meta de 2022. Some-se a isso a incerteza gerada por uma eleição presidencial.

Muitos traçam um paralelo com o que aconteceu no governo Dilma Rousseff. A diferença é que, naquela ocasião de desmoronamento fiscal, os juros não estavam tão baixos como hoje, em 6,25%.

E o IPCA-15 de outubro, que subiu 1,20%, acima da projeção do mercado de alta de 1,0%, mostra que o descontrole da inflação já era anterior ao abandono do teto de gastos.

Se subir a taxa em 1,5 ponto, o BC ainda estará correndo atrás do prejuízo, porém menos defasado. Será uma estratégia de contenção de danos. Se o Copom for tímido na alta de juros, não será uma surpresa se o dólar varar R$ 6. 

*COLUNISTA DO BROADCAST

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