Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

''''Se o Fed tiver sensibilidade, reduz agora a taxa básica''''

Sobre as decisões do Copom, Mantega desconversa: ?Isso não é papel do ministro da Fazenda?

Célia Froufe e Paula Puliti, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que se os diretores do Federal Reserve (Fed , o banco central americano) tiverem sensibilidade deverão reduzir a taxa básica de juros nos Estados Unidos, atualmente em 5,25%.   Veja orientações para investidores e consumidoresA próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc, sigla em inglês) está agendada para o dia 18 de setembro, mas o ministro afirmou que essa decisão pode ser tomada "a qualquer momento", até mesmo em uma reunião extraordinária. Mantega elogiou a decisão do Fed, ontem, de reduzir a taxa de desconto americana em 0,50 ponto porcentual para 5,75%. O ministro fez essas afirmações aos jornalistas, logo após participar de encontro sobre Reforma Tributária em São Paulo. Mantega evitou, no entanto, fazer prognóstico sobre a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) com relação à taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 5 de setembro. Atualmente, a Selic está em 11,5%. "Quem decide a Selic é o Copom, e com autonomia. Isso não é papel do ministro da Fazenda", desconversou. Mais cedo, ela havia dito que não caberia ao BC se preocupar com a turbulência internacional e o câmbio. "O BC tem que olhar a inflação, e se a inflação continua estável há espaço para reduzir taxas", declarou.O ministro acredita que a Bolsa paulista poderá voltar aos 58 mil pontos, patamar em que seu índice se encontrava antes do início da atual turbulência, porque as companhias brasileiras listadas na Bolsa estão muito sólidas. Mantega disse também que apesar de o dólar ter chegado na quinta-feira a R$ 2,12 isso não deve preocupar investidores, setor produtivo nem o governo. "Antigamente, ninguém considerava dólar a R$ 2,12 alto. Só dólar a R$ 2,80 é considerado alto", argumentou. "Além disso, esse dólar a R$ 2,12 durou apenas 24 horas", acrescentou. Ele afirmou ainda que o dólar um pouco mais elevado estimula o setor manufatureiro e é "exagero" dizer que já pressiona a inflação.Para o ministro, a turbulência pela qual passam os mercados financeiros de todo o mundo pode chegar à economia real de alguns países que não têm fundamentos muito sólidos. Mas descartou a possibilidade de isso ocorrer no Brasil, porque há superávit tanto da conta corrente quanto da balança comercial e as reservas internacionais estão elevadas. "O Brasil está no clube dos países sólidos e hoje não temos fuga de capital", comentou.O ministro afirmou também que os bancos brasileiros estão sólidos e não atuam diretamente nos financiamentos que vêm gerando problemas no mercado mundial. Ele ressaltou que "os mercados estão mais tranqüilos hoje (ontem); as bolsas estão subindo", mas ponderou que, apesar dessa expectativa de maior tranqüilidade, isso não significa que o Brasil não será atingido. "Sabemos disso porque o mercado tem ramificações, e hoje turbulências só estão ocorrendo em circuito do mercado financeiro." Mantega chegou com meia hora de atraso ao encontro, mas justificou-se: "Tive de permanecer por mais tempo em Brasília e verificar o comportamento dos mercados, mas achei melhor vir ao encontro."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.