Se País crescer 3,5% está bom, diz Mendonça de Barros

Para o ex-ministro, Brasil não pode crescer mais do que isso por questões estruturais, como baixo nível de poupança, causado em parte porque o consumo responde por 59% do PIB

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

30 de agosto de 2012 | 12h09

O ex-ministro das Comunicações e ex-presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, afirmou que se o Brasil crescer a média de 3,5% nos próximos anos, estará muito bom, num contexto de prolongamento da crise internacional. Segundo ele, de 1993 a 2014, a renda média no País deve crescer 4,5% ao ano. "E isso explica a grande virada no avanço do nível de atividade e fortalecimento da economia registrado até agora", comentou Mendonça durante sua participação no 22º congresso Apimec, realizado em São Paulo, nesta quinta-feira, 30.

Para o ex-ministro, o Brasil não pode crescer mais de 3,5% ao ano por algumas questões estruturais, como baixo nível de poupança, causado em parte porque o consumo responde por 59% do Produto Interno Bruto (PIB), como manifestou o Banco Central recentemente. "Vou usar a alegoria da cigarra e da formiga. O Brasil é um país cigarra, que trabalha duro, mas gosta de descansar no fim de semana", disse. "Há dois tipos de países cigarra: os que acabam trabalhando, como o Brasil, e a cigarra vagabunda, cujo principal exemplo é a Argentina", destacou.

Mendonça de Barros estima que o PIB do Brasil deverá apresentar uma expansão média de 3,5% ao ano, até 2020. Nesse cenário, ele projeta que a dívida pública líquida deverá atingir 19% do PIB em oito anos. "Se isso ocorrer, quero ver a Standard & Poor''s dar rating A para o País. Caso isso não ocorra, será sacanagem", apontou.

Segundo o ex-ministro, a gestão da economia na era do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003 a 2010) foi "mais liberal" do que o período dos dois governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002). "Há duas provas disso: uma delas é que a média do superávit primário foi maior no governo Lula do que do de Fernando Henrique", disse. "Outro fator é que o presidente do Banco Central de Lula (Henrique Meirelles) foi mais radical na gestão da política monetária do que os que atuaram no período de FHC", apontou.

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