Se Palocci saísse, investidores ainda estariam tranqüilos

Pesquisa feita pelo banco Dresdner Kleinwort Wasserstein com investidores de peso para averiguar qual seria a reação diante de uma eventual saída do governo do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, mostra um quadro de tranqüilidade. O autor do levantamento, o economista sênior do DKW, Nuno Camara, enviou duas perguntas para seus clientes: "A saída de Palocci mudaria sua visão sobre o Brasil? Como você pensa que os mercados reagiriam se ele saísse?" Segundo Câmara, 37 investidores em renda fixa e câmbio responderam às duas questões. "A grande maioria, 90%, permanece confiante nos fundamentos da economia brasileira. Em outras palavras, embora Palocci seja considerado um dos pilares da estabilidade no atual governo e possua grande capacidade administrativa e política, sua saída não implicaria uma mudança das políticas", disse Câmara. Ele afirmou que a maioria dos investidores acredita que a reação inicial do mercado seria claramente negativa, com um pequeno movimento de venda dos ativos do País. "Mas eles avaliam que isso proporcionaria uma boa oportunidade de compra dos ativos brasileiros", disse. "Qualquer aumento nas percepções de risco ou enfraquecimento do real simplesmente atrairia os investidores que pensam que o Brasil pode estar caro com seus preços atuais." Conclusões Segundo Câmara, o resultado da pesquisa parece refletir o fato de que a liquidez global (volume de negócios) continua abundante, mas também, "inegavelmente, que os fundamentos do Brasil melhoraram significativamente e, independentemente de quem ficar ou partir, isso vai continuar". Mas Câmara observa que o governo, ao tentar encerrar de vez a crise política, poderia determinar o ritmo de uma maior melhora dos fundamentos da economia. "Na minha opinião, Palocci não deve renunciar no curto prazo", disse Câmara. "Mas, em vez, de tentar adivinhar qual será o resultado final dessa crise ou especular sobre o futuro de indivíduos, é importante averiguar como os mercados reagiriam diante desse evento."

Agencia Estado,

12 Novembro 2005 | 18h22

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