Dida Sampaio/Estadão - 13/3/2019
Dida Sampaio/Estadão - 13/3/2019

Guedes quer cortar tarifas de importação em 10%

Segundo ministro, objetivo é conseguir uma maior abertura da economia; ele disse também querer mais dinheiro do BNDES

Fernanda Nunes e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2019 | 11h30
Atualizado 10 de maio de 2019 | 21h25

RIO - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira, 10, que pretende abrir a economia gradualmente até chegar a uma tarifa média de importação 10% abaixo da atual. Sem dar detalhes, Guedes explicou que não poderia reduzir a tarifa de uma única vez, sob o risco de quebrar a indústria brasileira.

“A abertura da economia tem de ser exponencial, não pode ser linear senão você quebra a indústria brasileira. Vamos baixar a tarifa média em 10%, sendo 1% no primeiro ano, o dobro no segundo, o triplo no terceiro e o quádruplo no último ano”, disse na abertura do 31.º Fórum Nacional, no qual falou sobre a criação de uma agenda positiva após a aprovação da reforma da Previdência.

Além de abrir mais a economia brasileira, Guedes se mostrou otimista com a realização de um pacto federativo com Estados e municípios em pouco tempo; com a aceleração do processo de privatização no País; e deu sinais do que espera do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“O BNDES tem um papel importante de coordenação, muito mais do que ficar dando dinheiro para gato gordo. É a coordenação desse ‘crowd in’ (entrada de recursos) que vai acontecer, é um negócio sofisticado, um desafio bacana para o Levy”, disse, ao lado do presidente do BNDES, Joaquim Levy.

Estados e municípios

Guedes destacou também a intenção de que o banco participe do processo de reestruturação das finanças de Estados e municípios, com o uso de recursos futuros, como os do pré-sal. “Vamos usar mais garantias do que crédito bruto para reestruturar Estados e municípios”, afirmou. Ele disse que o Brasil durante 30 anos viveu o “crowd out”, que consiste na fuga de capital estrangeiro por conta de juros altos, que davam melhor retorno ao investidor do que a economia produtiva. “Tenho convicção de que estamos numa dinâmica virtuosa, por isso tem de atacar a reforma da Previdência, ou vai explodir o teto se formos pelo caminho da Argentina ou da Venezuela”, disse.

Segundo o ministro, o BNDES terá, no governo Bolsonaro, papel diferente do que exerceu nos últimos anos, concentrando esforços em segmentos específicos que geram efeitos na área social, como saneamento, um dos maiores déficits do governo com a população. Segundo Guedes, os empréstimos que o BNDES fez nos governos passados poderiam ter sido feitos por qualquer banco privado. “Não é razoável um sujeito em Brasília criar a maior fábrica de proteína do mundo. Quem escolhe os campeões?”, questionou, referindo-se a políticas passadas do banco, que privilegiava grandes corporações.

“Se pedalaram o BNDES, temos de despedalar. Temos de devolver capital à União”, afirmou. O ministro já declarou que quer este ano, pelo menos, mais R$ 100 bilhões do banco de fomento além do já acordado com o governo anterior, que prevê uma parcela de R$ 26 bilhões em 2019.

Guedes voltou a defender a reforma como a única maneira de levar outras mudanças necessárias na economia adiante. “Se não tiver essa, não adianta falar em desoneração. Acabou isso (Previdência), acelera o resto com pacto federativo e simplificação de impostos”, disse o ministro, admitindo ter deixado criar um “clima de Fla x Flu” na discussão. “É tudo ou nada.”

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