Dida Sampaio/Estadão
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Se presidente vetar reajuste a funcionalismo, equilíbrio fiscal continua, diz Guedes

Ministro afirmou que é preciso garantir que gastos com Previdência, juros de dívida e folha sigam controlados

Karla Spotorno e Márcio Rodrigues, Broadcast/Estadão

09 de maio de 2020 | 19h44

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou neste sábado, 9, que se o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vetar o reajuste salarial do funcionalismo público fica garantido que, já em 2021, o Brasil volta para a trilha do ajuste fiscal. "Se o presidente vetar esse aumento, como disse que vai fazer, o déficit fiscal extraordinário (por conta das medidas para combate à pandemia) fica restrito a este ano", disse Guedes em videoconferência organizada pelo Itaú BBA. 

O ministro afirmou que é preciso garantir que em 2021, os gastos com Previdência, juros de dívida e despesas com funcionalismo sigam controlados. Ele observou que os dois primeiros itens - ou inimigos, como ele denominou - já estão controlados por conta da Reforma da Previdência e pela mudança de política econômica, respectivamente. "Mudamos o 'policy mix', com juros mais baixos e câmbio mais altos, o que derrubou despesas."

Guedes acrescentou que acredita que existe uma consciência hoje no Brasil sobre a necessidade da sustentabilidade fiscal. "Mudamos o regime fiscal. Em vez de freio monetário e 'fiscal' frouxo, passamos para ajuste fiscal, com juros mais baixos e câmbio mais alto", disse. "O que pedimos agora é que o funcionalismo público faça uma contribuição", disse.

Na conferência, o ministro aproveitou para relembrar as medidas tomadas pela equipe econômica para apoiar o consumidor e também as empresas durante a atual crise. Ele avalia que a reação do Brasil foi rápida e acima da média de países avançados. Nesse contexto, Guedes comparou o Brasil aos Estados Unidos. Disse que o governo brasileiro ajudou a preservar mais de 6 milhões de empregos, enquanto os Estados Unidos registraram mais de 20 milhões de desempregados. 

O ministro disse que é verdade que o Produto Interno Bruto (PIB) do País está em queda forte, mas ponderou que o governo está mantendo os "sinais vitais da economia" em funcionamento. "Os sinais são interessantes sobre a preservação de saúde e as perspectiva é de saída em "v". O Brasil está surpreendendo. A hipótese menos provável para o Brasil é a da prolongada recessão", previu.

Recuperação em etapas 

Segundo Guedes, a retomada da recuperação econômica no Brasil vai acontecer em algumas etapas. A primeira delas é baseada em juros baixos e no aumento da demanda. A segunda é um "crowding in" com investimentos em grandes áreas de interesse internacional como infraestrutura. 

"Em primeiro lugar, vemos recuperação cíclica com juros mais baixos, crédito crescendo a dois dígitos para consumo, famílias. A demanda agregada vai crescer com força. Em segundo lugar, será esse 'crowding in', com ingresso de investimentos nacionais e de fora [internacionais] em setores como óleo e gás, infraestrutura", disse.

Para essa onda de investimentos, Guedes afirmou que a primeira medida que precisa ser feita é a aprovação do marco do saneamento público. Ele defendeu que aprovação seja feita em meio à pandemia. "Precisamos de marcos regulatórios para novas fronteiras de investimento", disse Guedes, citando que é preciso também, com urgência, um novo marco regulatório para a área de petróleo (óleo e gás). "

Ele disse, ainda, que o governo vai aproveitar e propor privatizações se a recuperação da economia brasileira vier no segundo semestre. A ideia é, segundo Guedes, realizar quatro, cinco "grandes privatizações".

O ministro da Economia também afirmou que o Brasil é uma democracia vibrante e que vai se tornar uma economia de mercado. Após o fim da pandemia, o ministro afirmou que prevê uma reflexão internacional sobre a forma como a produção é organizada atualmente no mundo - com uma cadeia produtiva global - e que o Brasil vai poder se beneficiar disso.  

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