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Se recessão dos EUA vier, estamos preparados, diz Meirelles

Para o presidente do BC, País saiu do patamar de discutir crises; 'Agora, discutimos investimentos', afirma

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

22 de outubro de 2007 | 12h44

Se ocorrer uma recessão nos Estados Unidos, o Brasil está melhor preparado para o choque externo. Essa é a avaliação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Para ele, os chamados "dividendos da estabilidade", ou seja, o processo de controle da inflação, redução da relação dívida/PIB e acumulação de reservas que nos últimos anos deram mais resistência ao País para suportar volatilidade. "Por muitos anos, nos preocupamos com o custo da estabilização. Agora, estamos testemunhando benefícios da estabilização", afirmou o presidente do BC, em Washington. A importância disso, argumenta Meirelles, é que agora o País pode prever o que pode acontecer à frente. "Saímos do patamar de discutir crises. Agora, discutimos investimentos em educação e em infra-estrutura", disse.  A estabilização tem influência direta nos aspectos econômicos, como a expansão de crédito, exemplifica Meirelles. No processo de estabilização, ele observa que o juro cai de forma regular, assim como é possível ver a queda constante da volatilidade.  De acordo com o presidente do BC, o crescimento constante habilitou o Brasil a importar mais, a modernizar mais a economia. Ao mesmo tempo, a exportação ajuda no superávit comercial. "Estabilizamos a inflação e o balanço de pagamentos, duas fontes de volatilidade do passado. Também estabilizamos a relação dívida/PIB, que compõe o terceiro ponto do dividendo da estabilidade", afirmou.  Meirelles citou a evolução das reservas internacionais, que fornece uma âncora para o País e resistência às vulnerabilidades externas. "As reservas também são componente muito importante na queda do risco Brasil", afirmou. "Maiores reservas significam mais confiança no Brasil, menor risco percebido e menor custo de captação para o setor privado." "O País agora é previsível", concluiu.  De acordo com Meirelles, o Brasil está longe dos problemas imobiliários como os enfrentados pelos EUA. Ele ainda citou a forte capitalização no mercado de capitais, o sistema bancário fortalecido, com queda da taxa de default e aumento constante da relação crédito/PIB, indicando que "o Brasil está muito mais preparado agora para a volatilidade no mundo".  Segundo o presidente do BC, com o lado fiscal sob controle, a relação dívida/PIB caindo, os agentes de mercado têm condições de fazer previsões. Com isso, há aumento da demanda e, em conseqüência, tem-se maior investimento. "Estamos crescendo ancorados em economia estável. Não há desequilíbrio (na base) do crescimento que possa gerar volatilidade à frente", afirmou. "O fato é que o Brasil é resiliente e muito mais forte. Se a recessão nos EUA vier, estamos mais bem preparados".  Entre os desafios do País à frente, Meirelles citou infra-estrutura como uma área "crítica", educação e marco regulatório. Mas, para ele, isso indica que o País pode discutir o longo prazo e não precisa mais ficar preocupado em gerenciar crises. Fundo O presidente do BC afirmou também que não há divergências entre a visão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a sua avaliação sobre o fundo soberano de investimento (SWF, sigla para sovereign wealth funds em inglês). "Eu e o ministro falamos a mesma coisa. Estamos absolutamente sintonizados", disse.  O ministro Guido Mantega reiterou, no domingo, que o fundo soberano poderia começar com um valor de US$ 10 bilhões e que os recursos viriam a partir de um certo nível de reservas - quando estas atingissem US$ 170 bilhões a US$ 180 bilhões. O número de US$ 10 bilhões, diz Meirelles, é apenas para dar dimensão ao mercado sobre o que estaria por vir. "Ainda estamos decidindo", disse, acrescentando, porém, que dar uma estimativa do montante ao mercado é uma "atitude prudente e de bom senso". Meirelles afirmou que ainda não está decidido o mecanismo para capitalizar o fundo - se o fundo iria diretamente ao mercado ou se o BC faria as aquisições em nome do fundo.  Quando questionado se o fundo imporia um limite para as reservas, quando os recursos internacionais atingissem o intervalo estimado por Mantega, Meirelles afirmou que este ainda não é um assunto definido, mas também não negou a possibilidade de que a partir de um certo nível, as reservas parariam de ser acumuladas e passariam a alimentar apenas o fundo.

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