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'Se Previdência não for feita agora, terá de ser feita depois', diz especialista

Para José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recursos, o desempenho da economia brasileira neste ano será impactada

Entrevista com

José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recursos

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2018 | 12h31

O possível adiamento da reforma da Previdência em decorrência da intervenção federal na segurança do Estado do Rio de Janeiro pode ter efeito no desempenho da economia este ano, na avaliação do economista José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recursos.

Segundo ele, uma aprovação do texto agora daria espaço a uma maior redução da taxa de juros e, consequentemente, a mais crescimento. Camargo, entretanto, acredita que o texto ainda possa passar pelo Congresso em fevereiro, já que os termos da intervenção ainda não estão claros. "Se é decretada a intervenção em um Estado, você não pode passar uma reforma constitucional. Agora, se você decreta intervenção na segurança pública de um Estado, não sei o que significa isso. Isso tem de ser estudado primeiro".

Com a intervenção no Rio de Janeiro, a votação da reforma da Previdência no Congresso poderá ser adiada mais uma vez...

Pra mim, não é claro o que está acontecendo. Se é decretada a intervenção em um Estado da federação, você não pode passar uma reforma constitucional. Agora, se você decreta intervenção na segurança pública de um Estado, não sei o que significa isso. Isso tem que ser estudado primeiro. Agora, qual o efeito? O mercado acha que não tem chance nenhuma de a reforma ser aprovada (em fevereiro). Então, efeito sobre preço vai ter muito pouco. O mercado hoje está super tranquilo.

Mas como fica a economia com uma nova postergação?

Sem reforma da Previdência, em algum momento, a gente vai ter problema. Se ela não for feita agora, terá de ser feita depois. Não tem plano B. Em algum momento, terá de ser feita. Então, se tiver reforma, vamos antecipar um cenário melhor. Acho que a economia vai crescer entre 3,5% e 4% neste ano e com uma inflação muito baixa. Se tiver reforma, pode crescer ainda mais, porque você aumenta o espaço para reduzir os juros e, portanto,  para crescer. Mas a expectativa do mercado é que não vai ter reforma. Consequentemente, as previsões partem desse pressuposto.

O sr. acreditava na possibilidade de a reforma passar ainda em fevereiro? A intervenção muda sua percepção?

Achava, mas já falei: não sei o que significa intervenção na segurança pública. Não sei se isso proíbe ou não uma reforma constitucional. Acho que ainda existe a possibilidade de a reforma ser aprovada na Câmara neste mês.

A intervenção pode ter impactos diretos na economia?

Na economia do País, não faz muita diferença. Só para a do Rio de Janeiro. Quando se tem uma insegurança muito grande, começa a haver fuga de empresas. Sob esse ponto de vista, a violência afeta a economia do Estado. Se a intervenção for bem sucedida e reduzir a violência, pode haver impactos positivos.

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