Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

‘SE RICO ESTÁ RECLAMANDO, IMAGINA A GENTE’

Não é só no condomínio do programa Minha Casa Minha Vida que as coisas estão difíceis. Nas casas simples da vizinhança, os moradores também estão alterando a rotina. A dona de casa Nívea Cândida Alves, de 42 anos, transferiu o filho mais velho da escola particular para uma instituição estadual e economiza, assim, os R$ 500 da mensalidade do primeiro ano do Ensino Médio. O caçula, de 10 anos, ainda não foi para o ensino público. “É difícil conseguir vaga assim no meio do Ensino Fundamental. No Estado, eles têm de abrir vaga no primeiro ano para todo mundo.” Nívea diz que o mais velho está estranhando a mudança. “Sente falta dos amigos, os professores faltam muito. Ele sempre chega cedo em casa.” 

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2015 | 19h00

Ela mudou hábitos também. Cortou a saída no fim de semana. Mantém o ar-condicionado desligado. “A não ser quando o calor fica insuportável”, ressalva. Nívea foi guarda municipal por 10 anos. Deixou o serviço público porque não tinha quem cuidasse dos filhos. O marido trabalha no setor de troca de óleo de um posto na Barra da Tijuca, na zona oeste. “Ali vai artista, empresário. Mas eles já não trocam óleo, não enchem tanque. Se rico está reclamando, imagina a gente”, afirma. “Para mim não está tão ruim. Tenho meu carro, meu marido tem o dele. Nunca deixei de pagar o INSS. Mas tenho uma irmã que tem quatro filhos e para ela está muito difícil.” 

A dona de casa Helena Porto, de 76 anos, foi a segunda moradora do condomínio Monteserrat, de casas lineares e sobrados, ao lado do Vivendas das Gaivotas. “Há 22 anos, isso aqui não tinha nada, era um sítio. Não tinha luz, não tinha um portão para fechar (o condomínio), o transporte era ruim. A gente viu uma melhora. Chegou o BRT. Agora as coisas estão difíceis outra vez. Eu sou pensionista, mas tem muito vizinho sofrendo com o desemprego.”

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