Renda extra

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''Se tiver algum risco, tiro o meu dinheiro''

A aposentada Alda Silvestre de Sousa tem menos de R$ 50 mil na poupança e, portanto, está livre da cobrança de Imposto de Renda, anunciada ontem pelo governo. Mas nem por isso ela deixou de ficar preocupada com a alteração. "O meu medo é que essas mudanças não parem por aí. Nos últimos meses, tem havido muitos boatos sobre esse assunto", diz ela. Com R$ 30 mil aplicados, fruto de uma rescisão contratual e muita economia, Alda garante que, se esses ruídos aumentarem, ela não vai pensar duas vezes. "Se perceber que vou correr algum risco, tiro o meu dinheiro e invisto em outra coisa." Mas engana-se quem pensa que a aposentada vai correr atrás de fundos, CDBs ou ações. O destino do dinheiro seria a compra de um novo terreno, "algo palpável", como define ela.Alda é poupadora antiga. Foi uma das vítimas do governo Collor, que confiscou os depósitos da poupança, na década de 90. "Mas, com muita paciência, recebi todo o dinheiro retido e comecei a construir a minha casa." Apesar do trauma, ela permaneceu na poupança. Juntou mais um pouco de dinheiro e comprou uma casinha no Piauí, onde nasceu.Com apenas 18 anos, ela decidiu ganhar a vida na cidade grande e desembarcou em São Paulo, na década de 70. De lá pra cá, trabalhou em várias empresas e garante que conseguiu realizar todos os seus sonhos. "Nunca fui gananciosa; sempre optei pela segurança."Como Alda, a assistente administrativa Renata Viegas, de 25 anos, é adepta do conservadorismo. "Eu só invisto em poupança. É mais segura, mais simples e menos burocrática. Posso retirar o dinheiro quando quiser." Ontem, no entanto, ela ficou assustada quando ouviu sobre as mudanças na caderneta. "A princípio pensei que todo mundo seria atingido pela tributação, mas depois vi que só serão afetados investimentos acima de R$ 50 mil. Espero que continue assim."Seguindo os passos do pai, que sempre aplicou em poupança, ela conta que fez o primeiro depósito há cinco anos. Depois de usar as economias para quitar a faculdade, agora ela está guardando dinheiro para comprar um carro. Por ser jovem e trabalhar numa consultoria financeira, Renata vive sendo desafiada a experimentar novos investimentos. "Da última vez, tentaram me convencer de investir em ação. Ainda bem que não apliquei, pois o preço do papel despencou."

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

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