Seade e Dieese duvidam de queda do desemprego ainda em 2005

Técnicos da Fundação Seade e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) lançaram dúvidas, hoje, sobre a possibilidade de o nível de desemprego cair na Grande São Paulo nos próximos meses. Considerando o acompanhamento histórico do mercado de trabalho na região, a partir do início do segundo semestre, o índice de desemprego tende a cair a partir dos meses de junho ou julho. Este ano, os especialistas alertam, entretanto, para o risco de o índice se manter estável ou apresentar somente leve queda. Isso porque o mercado de trabalho da Grande São Paulo manteve estabilidade no emprego no início do ano, diferentemente da série histórica, quando nos primeiros meses do ano a indústria e o setor de serviços promoviam ajustes com corte de pessoal."Não vemos neste ano um movimento de demissões de pessoas. Há manutenção, em nível elevado, do emprego na indústria e serviços, e as oscilações do desemprego, com alta durante três meses (de fevereiro a abril), decorreram somente do ingresso de pessoas no mercado de trabalho", explicou o gerente da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) pela Fundação Seade, Alexandre Loloian.Os especialistas avaliam a existência de "sinais contraditórios" no mercado de trabalho brasileiro, tendo como pontos positivos o fato de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) ter interrompido a trajetória de alta da Selic e o incentivo trazido pela MP do Bem para a atração de novos investimentos. "Mas o câmbio continua valorizado e, apesar dos recordes de superávit comercial, ainda não sabemos qual será o comportamento das exportações para o resto do ano e, além disso, os investimentos no País ainda estão muito baixos. Portanto, é difícil afirmar com segurança que o desemprego vai cair", justificou Loloian.Para o diretor técnico do Dieese, Clemente Janz Lúcio, "é provável que a taxa de desemprego caia no segundo semestre, mas não com o mesmo vigor de outros anos". Ele explicou que embora mantenha índices elevados de contratação, a indústria paulista ainda conta com relativa capacidade ociosa. "A nossa dúvida sobre o futuro é porque os postos de trabalho criados são precários, sem carteira assinada e, portanto, com menores salários e menor custo para demissão", explicou Lúcio. "Temos sinais contraditórios, de momentos de melhora no emprego, principalmente na indústria e nos serviços, e outros de estabilização", adicionou.Em maio, o saldo de empregos gerados na Grande São Paulo foi de 35 mil postos. A PED revela, entretanto, que 46 mil postos de trabalho foram criados sem carteira assinada, enquanto que o trabalho autônomo representou 24 mil postos. Tal movimento se justifica, segundo os técnicos do Seade e do Dieese, pela mobilidade dentro do mercado de trabalho e pela substituição de mão-de-obra formal por informal, em vários segmentos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.