Seade: indústria ainda não recuperou empregos perdidos

O aumento dos postos de trabalho criados na indústria em novembro, ante outubro, foi o destaque da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Fundação Seade/Dieese, divulgada hoje. O desempenho, contudo, ainda não foi suficiente para recompor as perdas registradas entre o final de 2008 e o início de 2009, quando foi maior o impacto da crise econômico-financeira internacional. O nível de emprego no setor industrial ainda está abaixo do verificado em 2008.

ANA CONCEIÇÃO, Agencia Estado

22 de dezembro de 2009 | 14h57

"A indústria tem apresentado um ritmo forte nos últimos meses, mas na comparação anual ainda é o único setor cujo emprego está abaixo do mesmo período em 2008", comentou Alexandre Loloian, coordenador da equipe de análise da PED na Fundação Seade. Ele acredita, contudo, que, uma vez ajustados os estoques, a indústria voltará a contratar mais para elevar a produção. "É o que esperamos."

De acordo com os números da PED, o nível de trabalhadores ocupados na indústria da Região Metropolitana de São Paulo foi o que mais cresceu entre os quatro setores analisados: 2,9%, ante outubro, com a criação de 46 mil postos de trabalho. Tomadas as seis maiores regiões do País (São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife e Distrito Federal), o aumento foi de 2,0%, após a criação de 50 mil novas vagas.

Na comparação com novembro de 2008, porém, houve queda de 6,5% na Região Metropolitana de São Paulo, com a extinção de 115 mil postos de trabalho. Em novembro, a indústria empregava 1,646 milhão de pessoas, ante 1,6 milhão em outubro. No mesmo período em 2008, 1,761 milhão de pessoas trabalhavam no setor.

Nas seis maiores regiões, houve queda de 7,9% no nível de ocupação da indústria em novembro na comparação com o mesmo período do ano passado, por conta da extinção de 220 mil postos de trabalho. O setor empregava 2,549 milhões de pessoas nas seis maiores metrópoles brasileiras no mês passado, ante 2,499 milhões em outubro e 2,769 milhões em novembro de 2008.

Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese, lembrou que a crise provocou uma onda de demissões em regiões metropolitanas onde a presença da indústria é mais voltada para as exportações, como São Paulo e Belo Horizonte, que ainda não foi totalmente compensada pelas contratações dos últimos meses. "O estrago ainda não foi revertido."

Outros setores tiveram melhor desempenho na comparação anual. Na Região Metropolitana de São Paulo, aumentou o nível de ocupação em Serviços (1,0% ou mais 51 mil novas vagas), Comércio (50 mil, ou 3,5%) e no agregado Outros Setores (41 mil, ou 3,9%).

Nas seis maiores metrópoles, houve aumento de 1,7% no setor de Serviços, com 164 mil postos de trabalho criados; Construção Civil, com mais 120 mil novas vagas e aumento de 11,9% na ocupação. No Comércio, houve aumento de 65 mil vagas, ou 2,4%.

No geral, a taxa de desemprego em seis das principais regiões metropolitanas do País caiu para 13,2% em novembro, ante 13,7% registrados em outubro. Em novembro do ano passado, a taxa estava em 13,0%. Na Região Metropolitana de São Paulo, a taxa cedeu pelo segundo mês consecutivo e ficou em 12,8% em novembro, ante 13,2% em outubro e 12,3% em novembro de 2008.

Outro aspecto negativo da PED é que os salários médios (envolvendo todos os setores) da população ocupada caíram em outubro, na comparação com setembro, ainda que tenham aumentado ante o mesmo período em 2008. Nas seis regiões, o rendimento médio real (descontada a inflação) dos trabalhadores ocupados caiu 0,8%, para R$ 1.238,00. Em São Paulo, houve queda de 1,7% para R$ 1.274,00.

Loloian explica que esse é um efeito estatístico, ou seja, há mais gente sendo contratada, só que ganhando salários mais baixos. "Isso reduz a média dos rendimentos gerais."

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