Seade/Dieese: comércio de SP cria vagas pelo 4º mês

Ao contrário do aumento que era esperado para o período, o desemprego na Região Metropolitana de São Paulo manteve comportamento estável e ficou em 13,6% em fevereiro. O motivo desse resultado, segundo os técnicos da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), responsáveis pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), é o efeito reboque do aquecimento da economia brasileira verificado no ano passado.Normalmente, o desemprego costuma aumentar nos primeiros meses do ano devido às dispensas de trabalhadores temporários contratados para atender às vendas de Natal. Justamente o setor de comércio foi o grande destaque do mês, e registrou elevação de 2% ante janeiro. Foi o quarto mês consecutivo que o segmento apresentou um desempenho favorável. Na série histórica, desde 1985, este é o segundo melhor resultado - somente superado pela alta em fevereiro de 2007, de 3,1%. "O crescimento da economia em 2007 gerou um efeito de carregamento no emprego que permanece no início deste ano", disse o coordenador da área de pesquisas da Fundação Seade, Alexandre Loloian.Até mesmo a indústria surpreendeu os pesquisadores. O emprego no setor registrou uma queda de apenas 0,4%, um resultado avaliado como praticamente estável e anormal, uma vez que o setor costuma demitir muitos trabalhadores nessa época do ano. "A indústria automotiva e sua cadeia de fornecedores continua a puxar esse resultado, com destaque para as recentes contratações verificadas na indústria metal-mecânica, química e da borracha", citou. Não por acaso, o desemprego registrou sua maior queda justamente na região do Grande ABC, passando de 12,2% em janeiro para 11,8% em fevereiro. Foi o terceiro mês consecutivo que o desemprego caiu na região. Na capital paulista e nos demais municípios da região metropolitana, o desemprego mostrou estabilidade em fevereiro ante janeiro.Em 12 meses, o nível de ocupação na Região Metropolitana de São Paulo registrou alta de 4,2%. A indústria teve alta de 3,7%, e serviços, de 6,7%. O comércio não registrou variação, e o agregado outros serviços, que inclui construção civil e serviços domésticos, caiu 0,8%.Carteira assinadaAs entidades ressaltaram que os empregos com carteira assinada no setor privado apresentaram um desempenho muito positivo em 12 meses: uma elevação de 7%, superior ao crescimento dos empregos sem carteira assinada, de 4,2% também no setor privado.

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