Seade/Dieese: desemprego não deve cair abaixo de 14%

A taxa de desemprego dificilmente ficará abaixo de 14% em 2008 no conjunto das seis regiões metropolitanas que integram a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese. A avaliação é dos coordenadores do levantamento, Clemente Ganz Lúcio (Dieese) e Alexandre Loloian. (Seade).O aumento dos investimentos e das compras de máquinas e equipamentos deve impulsionar o crescimento econômico, mas as melhorias tecnológicas costumam se traduzir em mais produtividade e menos empregos. "Ainda assim, é muito provável que o ano de 2008 se encerre com uma taxa de desemprego menor que a deste ano", disse Loloian. Em novembro, o índice ficou em 14,6%.Lúcio destacou que tanto o desemprego oculto pelo trabalho precário como o desemprego oculto pelo desalento registraram fortes quedas na comparação com outubro - 3,2% e 11,1%, respectivamente - quanto em relação a novembro do ano passado - respectivamente, 12,2% e 18,7%. "Isso é uma prova de que as condições de empregabilidade melhoraram, tanto que até mesmo as pessoas com subempregos e que haviam desistido de procurar uma vaga voltaram ao mercado", explicou.Em novembro, foram criados 175 mil vagas nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelas entidades, e 113 mil pessoas entraram no mercado de trabalho no período, o que reduziu o contingente de desempregados em 61 mil pessoas. Com esse resultado, o nível de ocupação aumentou 1,1% em novembro ante outubro e 3,6% ante novembro de 2006.O desemprego total caiu 2,7% em relação ao mês anterior e 5,2% na comparação com novembro do ano passado. Em 12 meses, o desemprego caiu em todas as regiões pesquisadas, exceto em São Paulo, onde o indicador cresceu 0,7%. As outras regiões registraram fortes reduções do desemprego em 12 meses, como Recife, onde a queda foi de 15,5%, Porto Alegre, com baixa de 13,1%, Salvador, com 9,3%, e Belo Horizonte e Distrito Federal, ambas com recuo de 6,7%.Construção civilEntre os setores, o maior destaque em 12 meses foi a construção civil, com alta de 18,2% no número de ocupados. "Em 2008, quando o grosso do PAC desempacar, o setor deve mais uma vez registrar números excelentes", prevê Loloian. Apesar de ter obtido um crescimento menor, de 3,6%, o setor de serviços ainda é o maior empregador nas seis regiões metropolitanas, com 8,9 milhões de trabalhadores.Carteira assinadaOutros dois dados positivos ressaltados pelos coordenadores é o de trabalhadores com carteira assinada, com alta de 7,4% em novembro ante o mesmo mês de 2006, enquanto a quantidade de empregados sem carteira assinada caiu 1% no período. Porém, os rendimentos dos ocupados resistem a acompanhar o aumento dos empregos e subiram apenas 0,6% em outubro ante setembro e 0,8% ante outubro de 2006, ficando em R$ 1.070,00.Por esse motivo, a massa salarial, que é uma combinação do emprego e do rendimento, subiu 1,8% ante setembro e 4,2% ante outubro de 2006, resultados puxados principalmente pela quantidade de empregos gerados.

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