Seade/Dieese:desemprego em SP é o menor desde 2006

Taxa ficou em 13,5% da População Economicamente Ativa (PEA)

CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

30 de janeiro de 2008 | 13h38

A taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) em dezembro ficou em 13,5% da População Economicamente Ativa (PEA) e, em meses corridos, configura-se como o menor porcentual desde fevereiro de 2006, quando estava em 13,8%. Especificamente em relação a meses de dezembro, esta taxa é a menor da série histórica nos últimos 12 anos, já que em 1995 estava em 13,2%. O coordenador de análises da Fundação Seade, Alexandre Loloian, no entanto, fez outro tipo de comparação, com um prazo inferior de tempo. Para ele, o patamar de dezembro do ano passado foi o menor verificado desde dezembro de 1996, quando atingiu 14,2% da PEA. Os dados são da Fundação Seade e do Dieese."É uma ótima informação ver que a taxa de desemprego situou-se abaixo dos 14%", considerou Loloian, acrescentando que grande parte da responsabilidade do número menor deve-se ao crescimento da ocupação. Em dezembro, houve um aumento de 1,1% na comparação com novembro e de 3% ante idêntico mês de 2006."Em 2004, vimos o pico do desemprego, atingindo mais de 2 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho. Ainda há muita gente sem trabalho, mas, sem dúvida, avançamos muito nesse período", comparou o coordenador. Ele ressaltou que o primeiro semestre de 2007 não foi tão positivo quanto a segunda metade do ano para o mercado de trabalho da região, mas que o último trimestre de 2007 apresentou uma forte retomada, que pode continuar este ano. Loloian acredita, no entanto, que a taxa deverá subir no começo deste ano, como ocorre tradicionalmente nos meses de janeiro.O que vem impulsionando a melhora no mercado de trabalho, segundo o coordenador, é o aumento da oferta de crédito e a redução dos preços relativos, principalmente de produtos como televisores e celulares, não apenas por conta da maior produtividade, mas também em função da concorrência acirrada e do impacto do câmbio. "Mas o crédito é o que bomba qualquer economia capitalista", considerou.Para ele, não há nenhuma tendência de reversão da oferta de financiamentos este ano. "Um sinal negativo desse setor poderia ser o aumento da inadimplência, mas não temos visto isso. Ao contrário." O coordenador disse, no entanto, que não sabe até que ponto é conveniente para a economia brasileira continuar a ofertar o alongamento do crédito. "Não sei dizer se essa farra deve continuar", comentou, acrescentando que, no mês passado, se surpreendeu num supermercado com a possibilidade de o consumidor poder pagar a compra de bacalhau em oito vezes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.