Sebrae aponta dificuldades para o crédito à microempresa

No momento em que o governo prepara novas medidas para reduzir o spread bancário ? diferença entre juros de captação e taxas cobradas nos empréstimos ?, estudo coordenado pelo Sebrae revela uma situação crítica de acesso ao crédito pelas micro e pequenas empresas.Pouco propícios a partilhar os riscos dos negócios, os bancos têm oferecido crédito reduzido e caro, e preferido financiar muito mais facilmente as pessoas do que seus empreendimentos, embora muitas vezes o financiamento pessoal acabe se destinando às necessidades da própria empresa.Articulado com o apoio do Banco Central, Ministério da Fazenda, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outras instituições voltadas para a solução do problema, o estudo do Sebrae foi editado no livro - "Sistema Financeiro e as Micro e Pequenas Empresas: Diagnósticos e Perspectivas", que será lançado hoje.A iniciativa visa apoiar as instituições financeiras a descobrirem novos produtos financeiros exclusivos para atender as necessidades e possibilidades desse segmento, que corresponde hoje no País a um universo de 13 milhões de pequenos negócios formais e informais.Avaliação de riscoUm dos caminhos apontados pelo estudo é a introdução de mudanças na forma como os bancos avaliam os riscos de crédito das micro e pequenas empresas. Entre as sugestões, também está o aprimoramento do sistema de garantias e a regulamentação pelo BC das sociedades de garantias de crédito. Essas sociedades funcionam como uma espécie de cooperativa, que em vez de crédito concede aval para os seus associados.Para o organizador do livro e economista do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, existe uma grande demanda por crédito que os bancos não conseguem sanar. Com a estabilidade e o cenário de queda de juros e médio e longo prazos, disse ele, os bancos terão que criar novos produtos voltados para esse segmento para se manterem competitivos no mercado. Hoje, as instituições financeiras têm se acomodado com o pouco risco da alta rentabilidade proporcionada pelos títulos públicos.Sem apoio do setor bancárioO estudo mostra que os investimentos não contam com o apoio do setor bancário. A postura resistente dos bancos dificulta a melhoria do quadro macroeconômico, pois retarda a retomada do crescimento e do investimento e a melhoria da situação financeira das empresas. "O governo deve tomar medidas para garantir a ampliação e o direcionamento do crédito e deve apoiar os instrumentos especiais para ampliar e baratear a oferta de crédito e de financiamento", aponta a publicação do Sebrae.

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