SEC de olho nos analistas de Wall Street

A Securities and Exchange Comission (SEC), xerife do mercado norte-americano, apertou o cerco sobre os analistas de Wall Street. Uma série de denúncias deixou o trabalho desses especialistas sob forte questionamento no exterior. O caso que gerou maior desconforto envolveu a Merrill Lynch. Analistas da instituição privadamente trataram como "lixo" ações que foram recomendas aos investidores. Para impedir os conflitos de interesses, que colocam em dúvida o trabalho dos analistas, a SEC divulgou na semana passada novas regras. Um dos maiores problemas é quando o analista divulga avaliações positivas sobre empresas que estão fechando negócios com o banco para o qual trabalha. As novas regras listam uma série de pontos que deverão ser seguidos pela comunidade financeira americana. O primeiro deles é que a SEC proibiu os especialistas de fornecer uma avaliação favorável ao público sobre as ações com a intenção de induzir negócios entre o banco e as empresas. Os profissionais terão de seguir "períodos de silêncio". Ou seja, só poderão soltar relatório sobre uma companhia 40 dias após o lançamento dos papéis em mercado, caso o banco onde trabalha seja o coordenador da operação. Além disso, a remuneração dos especialistas também não deverá estar atrelada às transações do banco de investimentos. Os relatórios divulgados pelos analistas ganharão dados adicionais. As instituições norte-americanas terão de informar nos relatórios se estão coordenando operações de oferta pública para a empresa avaliada, ou se receberam qualquer remuneração por serviços prestados pelo banco de investimentos nos últimos 12 meses. Os analistas não poderão negociar ações das companhias que acompanham 30 dias antes ou cinco dias depois da divulgação de relatório sobre a empresa. Eles também estão proibidos de negociar contra as recomendações - ou seja, indicar a venda dos papéis e sair comprando no mercado. "Retirar os incentivos aos analistas para negociar na época da divulgação dos relatórios deve reduzir os conflitos criados pelos interesses financeiros pessoais", diz o documento da SEC. Os analistas americanos também terão de informar se possuem ações das empresas que acompanham. Além disso, os relatórios deverão explicar o significado de todas as recomendações utilizadas. Por exemplo: uma indicação para "manter" os papéis em carteira pode ser interpretada como positiva, mas os profissionais do mercado sabem que essa avaliação é negativa. Não apenas os relatórios deverão ampliar as informações sobre possíveis relações com empresas acompanhadas. A nova regra da SEC também impõe uma maior abertura de dados ao grande público, quando os analistas aparecerem na imprensa. Nas entrevistas, eles deverão dizer se a instituição onde trabalham possui ações da companhia analisada.

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