SEC quer atrair mais estrangeiros ao mercado dos EUA

O órgão regulador do mercado de valores mobiliários nos Estados Unidos (Securities and Exchange Comission, SEC), quer tornar o mercado de capitais americano mais atraente aos investidores estrangeiros, entre eles os brasileiros. Foi essa a mensagem central do discurso do comissário da SEC Paul Atkins à Câmara Americana de Comércio no Rio de Janeiro (Amcham-Rio). De acordo com ele, estudos indicam que "o investimento estrangeiro é vital para os Estados Unidos".Segundo Atkins, esse interesse em tornar o mercado dos Estados Unidos "mais competitivo" é também do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), de acadêmicos, políticos e industriais daquele país, que têm debatido o assunto. Atkins referiu-se à atual crise financeira americana e também à força dela, que continua sendo a maior economia do mundo. "Certamente, temos que nos concentrar nos problemas correntes e achar como evitar suas causas, mas não podemos nos esquecer da resiliência do mercado americano e do crescimento contínuo experimentado nos últimos anos", disse. Ele destacou que aquele mercado é atraente e "é único".MedidasNo sentido de tornar os Estados Unidos ainda mais atraente a empresas e capitais estrangeiros, a SEC está, por exemplo, apoiando o desenvolvimento das regras internacionais de contabilidade IFRS assim como a convergência desse padrão, adotado pela União Européia (UE), com o americano de contabilidade, o US Gaap. Além disso, está estudando permitir que empresas dos Estados Unidos adotem o IFRS. Ele afirmou que as empresas brasileiras que adotarem o IFRS até 2010 "vão se beneficiar" disso. Outra medida para aumentar a atratividade do mercado dos Estados Unidos é tornar mais fácil a entrada e também a saída de empresas das bolsas americanas.O comissário lembrou que estão sendo estudadas mudanças na estrutura regulatória dos mercados naquele país. Ressaltou que o interesse dos estrangeiros também está sendo levado em conta. "Para qualquer mudança estrutural, para o longo ou o curto prazo, serão considerados os efeitos internacionais", afirmou. "O capital do exterior é bem-vindo", ressaltou.De acordo com Atkins, as principais propostas de mudanças pela SEC buscam dar mais transparência ao mercado, simplificando documentos, tornando sua linguagem mais fácil de ser entendida pelas pessoas e fazendo eles se tornarem mais acessíveis, usando para isso até os relatos enviados por e-mail.Agências de riscoAtkins informou também que a SEC estuda criar mais competição no setor de agências de classificação de risco. "Talvez se fossem mais (agências), elas seriam melhores", disse. As agências são registradas na SEC para trabalhar naquele país.Ele lembrou que as agência de classificação de risco são pagas pelo emissor do título para avaliar a sua capacidade de pagamento. De acordo com ele, a SEC quer "proteger a agência" de uma situação em que ela "tenha de dar uma nota mais alta ou ela não terá o negócio".Atkins, porém, destacou que os investidores não podem considerar as notas de crédito de risco (ratings) "como um evangelho". Ele comentou que as agências de classificação de risco dão opiniões e não uma garantia e que cabe aos investidor juntar as informações dadas por elas com várias outras para tomar a decisão de investir ou não naquele papel. "Um ''AAA'' (melhor classificação de risco) dado por uma agência não substitui o julgamento do investidor", afirmou.

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