Seca faz IGP-DI dobrar em fevereiro

Preço de alimentos elevou índice calculado pela FGV de 0,4% em janeiro para 0,85%

IDIANA TOMAZELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2014 | 02h03

A seca prolongada pressionou os preços das commodities (matérias-primas com cotação internacional) e dos alimentos in natura no atacado, provocando uma intensa aceleração na inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), revelou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em fevereiro, a taxa registrou alta de 0,85%, acima do esperado pelo mercado e mais que o dobro do avanço de 0,4% de janeiro.

A soja em grão foi o carro-chefe da mudança no resultado, mesmo com queda nos preços (deflação). Em fevereiro, a soja em grão caiu 1,84%, um ritmo bem menos intenso de queda do que os 8,41% de janeiro.

"Faltou chuva na fase de enchimento do grão da soja, e isso frustrou as expectativas de safra, embora ainda possa ser maior do que no ano passado", disse o economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) André Braz. Milho e leite também puxaram a aceleração.

Nos alimentos in natura, o efeito da seca também foi intenso. A alimentação no atacado subiu 1,91%, em comparação a uma queda de 0,75% em janeiro, puxada por tomate (-7,97% para 22,61%) e batata inglesa (-10,97% para 4,68%).

"Os preços devem continuar com esse movimento de aceleração para março, mas de forma mais discreta", disse Braz, acrescentando que a alta do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) deve ser inferior à taxa de 1% de fevereiro (que, por sua vez, superou e muito o 0,12% obtido em janeiro).

Para André Braz, o efeito da seca ficou concentrado em fevereiro e os preços não devem avançar de maneira tão veloz neste mês.

Já os preços ao consumidor subiram menos no mês passado. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,66%, em comparação a 0,99% no primeiro mês do ano. A principal influência para essa desaceleração foi o fim do impacto dos reajustes em itens relacionados à educação, como mensalidades. Além disso, a alimentação subiu 0,82%, abaixo de janeiro (0,93%).

Tomate. Mesmo assim, a alta dos preços nos alimentos in natura já se faz perceber. As hortaliças e legumes aceleraram de 1,6% para 2,94% em fevereiro, puxadas pelo tomate (queda de 11,98% para alta de 9,05%).

No último fim de semana o tomate chegou a ser vendido por R$ 20 e R$ 10 o quilo, dependendo da variedade, em feiras livres da capital paulista. Flávio Godas, responsável pela Seção de Economia e Desenvolvimento da Ceagesp, disse que o preço do tomate acima de R$ 10 o quilo no varejo é especulação.

A desaceleração nos alimentos foi puxada por um avanço menor nos preços das carnes, o que não deve durar. Os alimentos processados começarão, neste mês, a repassar o impacto da alta nas commodities e incorporar os efeitos da seca, segundo Braz.

Mesmo assim, o economista do Ibre aposta que haverá uma "queda de braço", entre essa aceleração e um alívio nos preços dos in natura, que resultará em nova desaceleração nos alimentos.

Apesar do IPC menor, o indicador ainda refletiu o reajuste das tarifas de ônibus urbano no Rio de Janeiro. O item subiu 1,43%, ante 0,32% em janeiro.

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,33%, abaixo do verificado em janeiro (0,88%), em razão da ausência de reajustes salariais no mês passado. Há, porém, novos acordos previstos para março, o que pode causar nova aceleração nos preços./ COLABOROU MÁRCIA DE CHIARA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.