Secovi: comercialização de imóveis cai em 2002

Apesar do crescente interesse pelo investimento em imóveis nos últimos meses, a comercialização de unidades em São Paulo ainda é menor que no ano passado, de acordo com pesquisa sobre o mercado residencial realizada pelo Sindicato da Habitação do Estado (Secovi-SP). Em julho foram vendidas 1.148 unidades, contra 1.210 de junho. Na comparação dos primeiros sete meses do ano a queda é mais acentuada, chegando a 11,5%. Este ano foram comercializadas 8.261 e, em 2001, 9.333.A previsão do Secovi-SP é que esse índice permaneça em torno de 10% até dezembro, contrariando as expectativas do início do ano, quando era estimado aumento nas vendas em relação a 2001. No entanto, para o diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia, o mercado deve se recuperar nos últimos meses do ano, quando, historicamente, há um número maior de lançamentos.O total de lançamentos no período também foi menor que no ano passado (23%), mas o valor geral lançado, maior. De janeiro a julho entraram no mercado empreendimentos que somaram R$ 2,1 bilhões; 22,5% a mais que em 2001. A explicação para esse movimento é justamente o interesse de investidores por ativos reais e de risco reduzido. Os imóveis preferidos por eles são os de alto padrão, com maior valor. A participação no mercado de unidades desse segmento chega, atualmente, a 20%, enquanto a média tradicional oscilava entre 11% e 14% do total de imóveis disponíveis. O preço médio dos apartamentos, de todos os segmentos, também teve alta no período, de 60%, chegando a R$ 216 mil. "Só agora a demanda de alto padrão está realmente sendo atendida", afirma Pompéia.Os cerca de R$ 180 milhões mensais destinados a financiamento imobiliário oriundos do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) podem não chegar tão facilmente aos consumidores. A rigorosa análise de crédito dos bancos deve dificultar a aplicação efetiva dos recursos, como determina a Resolução Nº 3005 do Conselho Monetário Nacional (CMN). O mercado imobiliário interpreta essa dificuldade como indisposição dos bancos em aplicar o dinheiro em imóveis. Os bancos argumentam que o rigor do credit score restringe os riscos de inadimplência. A medida do CMN entrou em vigor no dia 1.º."O dinheiro está à disposição, mas se os bancos começarem com muitas exigências, poderão alegar que tentaram colocar o dinheiro e não tiveram condições", observa o presidente do Sindicato da Habitação do Estado, Romeu Chap Chap. Assim , os bancos não poderiam ser responsabilizados, porque alegariam que não há demanda suficiente. "O credit score não existe para barrar a liberação de financiamento, mas para dar segurança ao sistema", defende o superintendente de Crédito Imobiliário do Banco Itaú, João Bosco Segreti.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.