Secretária diz que corte de gás não afetou São Paulo

Segundo Dilma Pena, diretora da Petrobras informou que ainda não foi preciso realizar corte em SP

Wellington Bahnemann, da Agência Estado,

31 de outubro de 2007 | 12h36

A secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, Dilma Pena, afirmou nesta quarta-feira, 31, que o corte de gás natural promovido pela Petrobras para o atendimento da demanda das térmicas ainda não afetou o Estado.  Veja também: Consumidores do Rio e SP não sofrem com a falta de gás "Mantivemos conversa telefônica ontem (terça) com a diretora de gás e energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, e nos foi informado que ainda não foi necessário realizar o corte no Estado de São Paulo", contou a secretária, que participou de evento promovido pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e a Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib) sobre a Nona Rodada Licitações. Segundo Dilma, foi revelada na conversa com a diretora da Petrobras que a estatal necessita de 1,2 milhão de metros cúbicos por dia de gás natural para abastecer as termelétricas que integram o termo de compromisso assinado com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).  "Desse volume, a Petrobras já possui 800 mil m³/dia assegurados que não afetam o mercado de São Paulo. De fato, a situação é estressante, mas está sendo gerenciada para que os efeitos sejam minimizados", afirmou. O potencial de corte no Estado de São Paulo é de 400 mil metros cúbicos por dia, o que pode ocorrer a qualquer momento. Ela também contou que foi manifestado, no contato telefônico, o impacto negativo do corte de gás para o Estado de São Paulo. A secretária lembrou que muitas indústrias, como a de cerâmica, foram induzidas a adotar o gás como combustível, por ter um custo mais baixo e ser uma opção ambientalmente mais correta. "Por conta disso, a diretora Maria das Graças nos garantiu que qualquer corte no fornecimento do Estado será avisado com antecedência pela Petrobras", afirmou. A secretária revelou também a Comgás já vinha negociando com os seus clientes um plano de gestão de demanda e oferta, que permitiria dar suporte a um corte no suprimento de gás da ordem de 600 mil m³/dia. Pena disse que o plano de contingência no Estado está sendo negociado pela distribuidora e pela CSPE, que regula o serviço de gás canalizado em São Paulo. "Uma questão jurídica complexa é quem arcará com os custos oriundos do corte de gás", apontou Dilma. Na avaliação da secretária, a normalização do abastecimento dependerá do ciclo hidrológico, ou seja, das chuvas que cairão nos próximos meses. "É importante lembrar que a matriz elétrica brasileira é predominantemente hidrelétrica e estamos começando agora o período de chuvas. Por isso, é importante que se tenha cuidado nas ações que serão tomadas para não prejudicar os consumidores", alertou. Na visão de Dilma, a perspectiva de uma guerra de liminares para garantir o abastecimento de gás, medida adotada pelo governo estadual do Rio de Janeiro para manter o suprimento para a CEG e CEG Rio, é um fato negativo. Em São Paulo, a secretária afirmou que o caminho inicial adotado é o da negociação, mas a via judicial não é uma hipótese descartada. Comgás Nesta manhã, a distribuidora paulista Comgás divulgou comunicado afirmando que procurou reduzir o volume recebido em até 1 milhão de metros cúbicos/dia, negociando com um grupo restrito de clientes consumidores de grandes volumes a substituição de seu insumo energético pelo óleo combustível. A alternativa se baseou em proposta da própria Petrobras, por meio da qual a estatal dará suporte aos impactos financeiros decorrentes da substituição do insumo energético de clientes da Comgás. "Desta forma, Petrobras, Comgás e esse grupo restrito de clientes estão, de forma negociada e estruturada, viabilizando o contingenciamento temporário do gás natural solicitado pela Petrobras", diz a nota. Segundo a empresa, as medidas não interferem no consumo dos demais clientes, "em especial os consumidores residenciais e de pequeno comércio, os quais sempre terão garantia de abastecimento".

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