Secretária dos EUA está otimista sobre negociações agrícolas

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse hoje que a secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Ann Venemann, está mais otimista do que ele quanto ao futuro das negociações agrícolas da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Ela acredita que, embora as questões relacionadas às modalidades agrícolas não tenham avançado, as negociações dentro da OMC terão que evoluir, pois essa é uma necessidade do mundo todo", afirmou Rodrigues, que está em Washington.O futuro das negociações agrícolas na OMC é crucial para o Brasil e outros grandes exportadores de produtos agropecuários e terá influência no rumo de negociações de âmbito regional, como a da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Rodrigues disse que não tratou da Alca com Venemann, mas afirmou ter ficado claro que os norte-americanos só farão concessões mais abrangentes na área agrícola, nessas negociações, na medida em que a questão avançar na OMC. "Venemann deixou claro que nas questões agrícolas relacionadas à Alca o assunto política de apoio interno só avançará depois de uma definição na OMC."Trata-se de um discurso diferente do trazido pelo secretário do Tesouro, John Snow, na visita feita nesta semana ao Brasil. Snow disse que todas as questões, inclusive sobre produtos agrícolas, estavam postas na mesa de negociações da Alca. O recado de Snow chegou a ser visto como uma nova disposição do governo americano de reduzir, na Alca, as atuais barreiras à importação de produtos agrícolas, tema de grande interesse para o Brasil. Mas o suposto avanço da posição dos EUA foi colocado em dúvida pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para quem Snow nada disse de novo. A posição de Ann Venemann parece dar razão ao chanceler.Segundo Roberto Rodrigues, a secretária afirmou que os diversos países que participam da Rodada da OMC sabem da importância das negociações e buscarão a abertura comercial. Ele disse ter demonstrado para Venemann sua preocupação quanto a próxima reunião ministerial da OMC, marcada para setembro em Cancún, no México. Mas, segundo o ministro, a secretária tem posição "moderadamente a favor" quanto ao papel do mediador da negociação agrícola da OMC, Stuart Harbinson, com base nas discussões que ocorreram em Tóquio, em fevereiro. "O argumento da secretária parte da premissa de que deverá surgir em Cancún uma nova versão do acordo, modificada pelas propostas dos países depois da reunião de Tóquio", afirmou.

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