Secretária dos EUA inclui Brasil entre campeões de pirataria

A secretária de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, listou o Brasil como um dos países em que mais ocorrem violações de direitos autorais. De acordo com ela, ´´a China tem sido uma das principais fontes de violação de direitos autorais. Aliás, se você olhar para onde os problemas estão surgindo, verá que a China está em primeiro, a Rússia em segundo e aí há outros países, como o Brasil e outros, que também têm tido um papel nisso´´. As declarações de Schwab foram feitas na terça-feira, durante um encontro da Organização Mundial do Comércio, em Genebra, na Suíça. Mas a secretária de Comércio comentou que ´´há um legítimo interesse´´ por parte dos governos afetados pelo problema ´´em assegurar a proteção de propriedade intelectual e em combater a pirataria e o contrabando´´.Ranking Na segunda-feira, o Brasil foi listado como sendo o quarto país mais ineficiente na proteção da propriedade intelectual no mundo, sendo superado apenas por China, Rússia e Índia. O ranking foi divulgado pelo grupo Bascap (sigla em inglês para Ação Empresarial para o Fim da Falsificação e Pirataria).O governo brasileiro criticou o ranking. Em nota à imprensa, Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto, presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP, órgão ligado ao Ministério da Justiça), disse ser "lamentável que o tema seja mais uma vez tratado de maneira tão imprópria" e expressou "estranhamento quanto à elaboração e divulgação de rankings de pirataria".DohaSusan Schwab falou ainda sobre as dificuldades em dar continuidade à Rodada de Doha, que visa liberalizar o comércio mundial. Ao comentar o encontro que manteve em Genebra com Peter Mandelson, o comissário europeu do Comércio, e com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, Schwab falou sobre os desafios enfrentados por Estados Unidos, Brasil e União Européia. ´´Cada país envolvido na Rodada de Doha possui as suas próprias sensibilidades e a sua própria dinâmica. O comissário Mandelson precisa ouvir 27 distritos eleitorais. Alguns são mais poderosos do que outros. Não posso adivinhar como é a política interna com qual Peter Mandelson tem de lidar, nem espero que alguém possa adivinhar como é trabalhar junto a 535 membros do Congresso americano e todos os seus distritos eleitorais.´´Em relação ao Brasil, o problema é similar, de acordo com Schwab. ´´Celso Amorim também tem de lidar com uma série de interesses distintos, em setores como os industriais e agrícolas.´´´´Os EUA vão primeiro´´Segundo a representante comercial americana, o modelo que chamou de ´´os Estados Unidos vão primeiro´´, na Rodada de Doha, se mostrou ineficaz. ´´Nós fomos primeiro. Apresentamos uma proposta muito ambiciosa de eliminar subsídios comerciais distorcidos. Esperávamos níveis semelhantes de ambição por parte de nossos parceiros. Isso não ocorreu.´´Desde então, diz ela, os Estados Unidos optaram por uma tática que adotaram desde que ´´as negociações fracassaram por aqui (em Genebra, no ano passado) e após eu ter me encontrado em julho, no Rio de Janeiro, com o ministro Amorim. O modelo que temos seguido sempre a partir de então é o de manter pequenos e discretos encontros´´. Em relação ao encontro que manteve com Amorim e Mandelson, Schwab se limitou a dizer ´´nós três nos sentamos para conversar´´. A julgar pelas poucas palavras da representante comercial sobre a reunião, ela pareceu qualificá-la como um dos ´´pequenos e discretos encontros´´ que, segundo ela, vêm marcando a tática americana para reviver a Rodada de Doha.

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