Divulgação
Divulgação

Mansueto afirma que Brasil tem potencial de crescer 0,7% este ano e 2% a 3% em 2018

Expectativa é mais otimista do que as projeções oficiais do governo, que apontam atualmente para alta de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB)

Idiana Tomazelli e Lorena Rodrigues, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2017 | 17h58

BRASÍLIA - A economia brasileira tem potencial de crescer 0,7% este ano e “algo entre 2% e 3% no ano que vem”, disse nesta quarta-feira, 20, o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida. A expectativa é mais otimista do que as projeções oficiais, que apontam atualmente para alta de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) este ano e avanço de 2% em 2018.

De acordo com Mansueto, o governo vai "rodar o modelo" para verificar se é possível elevar a previsão de crescimento para 2017. Na sexta-feira, 22, o governo divulgará o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas e uma melhoria na previsão de crescimento da economia ajudaria a fechar as contas, já que aumentaria a projeção de arrecadação. Com o levantamento finalizado, a equipe econômica saberá se poderá ou não liberar uma parte das despesas bloqueadas no Orçamento.

“Isso é algo extremamente positivo”, disse o secretário, que participou de audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no Senado.

Ele ressaltou que vários bancos já estão prevendo alta de 0,7% até 1% no PIB e que os últimos indicadores econômicos têm sido bastante positivos. "Claramente, os indicadores do setor privado para este ano e o próximo mostram que o potencial de crescimento aumentou", afirmou a jornalistas, após a reunião.

Caso a economia de fato cresça mais do que o esperado, isso tem um reflexo positivo sobre a arrecadação do governo. A frustração de receitas tem sido um problema recorrente para que a equipe econômica consiga fechar as contas do Orçamento e contribuiu para o corte de R$ 45 bilhões nos gastos atualmente em vigor.

++ Em NY, Moreira Franco fala em privatizar Correios

Em agosto, o impulso tomado pela arrecadação trouxe certo alívio à equipe econômica. A alta real de 10,78% nas receitas federais é avaliada como fruto da recuperação da atividade, e a Receita Federal mantém expectativa positiva de que o movimento se consolide nos próximos meses.

Para o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Faezenda, é necessário verificar se esse movimento representa uma tendência ou um ponto fora da curva. "Em junho foi muito bom, mas em julho foi ruim. É um cenário muito difícil de fazer previsão", acrescentou. 

Mansueto lembrou que em 2018, com as despesas limitadas pelo teto dos gastos, qualquer "surpresa positiva" no lado da receita será voltada para reduzir o déficit primário.

Ele não acredita que a segunda denúncia do Ministério Público Federal possa afetar as previsões de crescimento do mercado, porque isso "já está incorporado". "O mercado acredita que a agenda de reformas vai continuar. Os investidores estrangeiros acreditam que o governo vai conseguir avançar na reforma da previdência, se não este ano, até 2019", afirmou.

Descontingenciamento. O governo espera o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas também para tentar descontingenciar recursos orçamentários e evitar uma paralisação da máquina pública. De acordo com Mansueto, o ideal é liberar entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões. "O número exato vai depender dessa questão do modelo de crescimento e reavaliação de receita", acrescentou.

Ele lembrou que o governo teve hoje uma "boa notícia" com a manutenção na Justiça do leilão de usinas da Cemig, que deverá arrecadar pelo menos R$ 11 bilhões aos cofres da União. Por outro lado, a decisão do Supremo Tribunal Federal de manter a correção de precatórios pelo IPCA, e não pela TR, representará uma perda para o governo. Para Mansueto, no entanto, a revisão de meta já guardou margem para acomodar alguma frustração de receita.

Mais conteúdo sobre:
Brasil [América do Sul]

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.