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Governo reduziu ainda mais a verba destinada à realização do Censo Demográfico neste ano; redução inviabilizaria até preparativos para ir a campo em 2022.  Lucas Lacaz Ruiz/Estadão

Secretário de Guedes questiona se este é o momento de fazer o Censo presencial

Embora tenha reconhecido a importância do Censo, Adolfo Sachsida afirmou que o agravamento da pandemia de covid-19 desperta nele 'certo receio' em levar a pesquisa adiante num momento como o atual

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2021 | 21h28

BRASÍLIA - Dias após o Congresso sepultar de vez a realização do Censo Demográfico em 2021, o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, questionou se este é o momento mais adequado para “mandar 5 mil pessoas de casa em casa para fazer entrevista”. Embora tenha reconhecido a importância do Censo, a pesquisa estatística mais abrangente do País, ele afirmou que o agravamento da pandemia de covid-19 desperta nele “certo receio” em levar a pesquisa adiante num momento como o atual.

“Sou muito transparente: será que está no momento de fazer o Censo? Não sei. Está perigoso. É claro que quem manda nisso é o Ministério da Saúde. Agora, será que está no momento de mandar 5 mil pessoas de casa em casa no Brasil para fazer entrevista? Eu, honestamente, tenho certo receio com isso. Agora, o Censo é fundamental. Ele vai acontecer, é só uma questão de endereçar corretamente esse assunto, e claro, dentro das restrições políticas, econômicas e de saúde pública”, disse Sachsida durante live promovida por alunos da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Durante a tramitação do Orçamento, o relator, senador Marcio Bittar (MDB-AC), retirou uma previsão de cerca de R$ 2 bilhões para a realização do Censo este ano e redistribuiu a emendas parlamentares. No momento da sanção, o presidente Jair Bolsonaro vetou outros R$ 17 milhões que poderiam ser usados na preparação da pesquisa para 2022. Esse corte pode levar a um adiamento ainda maior do Censo, para 2023. A previsão original era realizá-lo em 2020.

Sobre a decisão do relator, Sachsida lembrou que o Orçamento enviado pela equipe econômica mantinha a previsão para a realização do Censo, mas é previsto “respeitar decisões de política”. “Ocorreu uma decisão política, com apoio do Congresso Nacional, em que se optou por outro uso”, disse.

Em relação ao risco sanitário de realização do Censo, o secretário destacou que há um risco de mutação do vírus na Índia, a exemplo do que foi visto no Brasil. Ele não deixou claro se esse fator gera no governo receio de novo agravamento na pandemia no País.

“Você vê na Índia, por exemplo, está tendo mais de 300 mil casos por dia. Tem um risco de ter mutação lá. Vamos aprender com o que aconteceu aqui. Quando você pega dados, em novembro do ano passado estavam morrendo 300 brasileiros por dia. Em abril deste ano, estavam morrendo 4 mil. Esta pandemia é algo sério, nós temos também que tomar os devidos cuidados”, disse.

O secretário, porém, demonstrou confiança de que o Censo “será resolvido de maneira adequada”. “Se não acontecer agora, vai acontecer ano que vem”, disse.

Shutdown

Sachsida ainda reconheceu que, com um nível baixo de despesas discricionárias, o governo deve enfrentar “um ano difícil”, mas afastou o risco de um “apagão” na máquina pública. “Nem oito, nem oitenta”, disse.

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Secretário de Guedes nega que tirar gastos da meta mostra descompromisso fiscal

Adolfo Sachsida disse que a estratégia para enfrentar a nova onda da pandemia de covid-19 'é a mesma' colocada em prática no ano passado, embora a situação fiscal mais delicada leve o governo a 'medir com cuidado os recursos'

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2021 | 21h16

BRASÍLIA - O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, defendeu a liberação de recursos extras para ajudar a saúde no combate à pandemia num cenário em que “estavam morrendo 4 mil brasileiros por dia, um desastre” e rechaçou críticas de que o governo flexibilizou seu compromisso com a agenda fiscal.

Em live promovida por alunos da Fundação Getulio Vargas (FGV), Sachsida disse que a estratégia para enfrentar a nova onda da pandemia de covid-19 “é a mesma” colocada em prática no ano passado, embora a situação fiscal mais delicada leve o governo a “medir com cuidado os recursos”.

“Tirar gastos da meta mostra que não temos compromisso fiscal? Nada disso”, disse Sachsida, em referência à aprovação do projeto de lei que tirou despesas com saúde e programas de manutenção de empregos e de crédito a micro e pequenas empresas da contabilidade da meta fiscal, que permite rombo de R$ 247,1 bilhões. Sem a flexibilização, a equipe econômica corria o risco de estourar a meta devido aos novos gastos.

“Estavam morrendo 4 mil brasileiros por dia, um desastre. Como é que eu vou dizer 'não vou liberar dinheiro para vacina'? Eu não vou dizer isso, pode trocar (de cargo)”, afirmou o secretário. “É óbvio que o que chegar de pedido da saúde vamos liberar, não tem como ser diferente”, disse Sachsida.

Apesar das declarações do secretário, o Estadão mostrou na semana passada que o Ministério da Saúde passou o chapéu atrás de verba extra para a compra de mais vacinas contra a covid-19, medicamentos de intubação e para o custeio de leitos, mas teve que reduzir os pedidos imediatos após questionamentos do Ministério da Economia. A equipe de Paulo Guedes cobrou mais informações antes de liberar o crédito adicional e questiona até mesmo a chance de a pandemia de covid-19 arrefecer no País. A opção da pasta é a de repassar o dinheiro a conta-gotas, em parcelas menores, de acordo com a necessidade e a evolução da doença.

Na live, Sachsida ainda defendeu o relançamento de medidas para manter empregos e fornecer crédito às empresas. “Vários Estados adotaram distanciamento, vamos deixar empresas quebrarem?", afirmou. Para o secretário, a crítica de que o governo abandonou o compromisso fiscal “não é justa”, uma vez que a equipe econômica não poderia negar recursos para a vacina, considerada necessária para ajudar na retomada da atividade, apenas em nome da consolidação.

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