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José Mauro Ferreira Coelho deixa o serviço público para ir para a iniciativa privada Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Secretário de Petróleo do Ministério de Minas e Energia pede demissão e vai para inciativa privada

José Mauro Ferreira Coelho deixa o cargo num momento em que o preço dos combustíveis tem sido motivo de tensão no governo; demissão vem após Bolsonaro anunciar benefício a caminhoneiros

Wilian Miron, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2021 | 18h52

O secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), José Mauro Ferreira Coelho, deixará o serviço público e assumirá novos desafios na iniciativa privada. A informação foi confirmada na noite desta quinta-feira, 21, pela pasta.

Coelho atuou quatro anos na Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e estava no MME há um ano e meio. Antes de assumir novas funções na iniciativa privada, ele passará por um período de quarentena.

Ele deixa o cargo num momento em que o preço dos combustíveis tem sido motivo de tensão no governo, em meio a questionamento de caminhoneiros em relação ao custo do diesel e reflexos nos índices de inflação do País. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel no País ficou em R$ 4,976 o litro na semana passada.

No sábado, 16, os caminhoneiros declararam estado de greve diante do cenário de alta sucessiva do preço dos combustíveis. Entidades prometeram parar o País a partir de 1.º de novembro caso o Planalto não atenda às reivindicações da categoria, que exigem cumprimento do frete mínimo, aposentaria especial e nova política para o diesel.

Internamente, por sua vez, integrantes do governo encararam a mobilização como mais uma tentativa de greve que não deve se materializar nas estradas.

O pedido de demissão também vem após o presidente Jair Bolsonaro anunciar, nesta quinta-feira, 21 um benefício para caminhoneiros, sem porém, informar a fonte dos recursos. "Números serão apresentados nos próximos dias, vamos atender aos caminhoneiros autônomos. Em torno de 750 mil caminhoneiros receberão ajuda para compensar aumento do diesel", afirmou o presidente durante evento em Sertânia (PE).

Segundo apurou o Estadão/Broadcast com duas fontes do governo com conhecimento sobre o tema, a ajuda deve ser de R$ 400 a ser paga de dezembro de 2021 a dezembro de 2022. O custo estimado pelo governo com o programa é de cerca de R$ 4 bilhões.

Baixas no Ministério da Economia

Ministério da Economia também informou nesta quinta, os pedidos de exoneração do secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e sua adjunta, Gildenora Dantas. Também pediram para deixar o cargo o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, e seu adjunto, Rafael Araujo.

A debandada dos principais técnicos que assessoravam o ministro Paulo Guedes, vem após a derrota da equipe econômica para a ala política do governo na mudança do teto de gastos para abrir espaço no Orçamento de 2022 para um auxílio de R$ 400. 

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Bolsonaro anuncia benefício a caminhoneiros que deve pagar R$ 400 e custar R$ 4 bi

Sem informar a fonte dos recursos, o presidente disse que 750 mil caminhoneiros receberão ajuda para compensar o aumento no preço do diesel; presidente de associação da caminhoneiros diz que auxílio não atende às demandas da categoria

Idiana Tomazelli, Amanda Pupo, Eduardo Gayer e Isadora Duarte, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2021 | 15h26
Atualizado 21 de outubro de 2021 | 21h12

BRASÍLIA - No dia em que o governo acertou um acordo para modificar a regra do teto de gastos, o presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira, 21, criação de um benefício para caminhoneiros, sem porém, informar a fonte dos recursos. "Números serão apresentados nos próximos dias, vamos atender aos caminhoneiros autônomos. Em torno de 750 mil caminhoneiros receberão ajuda para compensar aumento do diesel", afirmou o presidente durante evento em Sertânia (PE) - mais uma vez, sem dar detalhes sobre a medida.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast com duas fontes do governo com conhecimento sobre o tema, a ajuda deve ser de R$ 400 a ser paga de dezembro de 2021 a dezembro de 2022.

Embora Bolsonaro tenha citado o potencial de 750 mil beneficiários, a reportagem apurou que o público final ainda está sendo refinado e vai depender do número de caminhoneiros autônomos ativos no cadastro da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Esse número varia entre 700 mil e 850 mil.

O custo estimado pelo governo com o programa é de cerca de R$ 4 bilhões. O valor final da ajuda mensal ainda vai depender de negociações com o Congresso Nacional e da disponibilidade no Orçamento.

Como mostrou o Estadão/Broadcast mais cedo, o governo terá uma folga de R$ 83,6 bilhões no Orçamento de 2022, graças a uma mudança na correção do teto de gastos acertada entre as equipes política e econômica do governo. O teto é a regra que limita a variação das despesas à inflação.

A avaliação dentro do governo é que o auxílio diesel é uma solução melhor do que uma eventual alteração na política de preços da Petrobras, o que representaria, segundo uma fonte, "intervenção" do governo na estatal.

A ajuda aos caminhoneiros, porém, não terá relação com o Auxílio Brasil, que também deve pagar R$ 400, até dezembro de 2022. Na área econômica, técnicos foram pegos de surpresa com o anúncio.

A defesa do programa inclui o argumento de que os caminhoneiros são um elo importante da cadeira produtiva do País, e um peso excessivo do preço dos combustíveis no bolso desses profissionais poderia gerar risco de desabastecimento no País.

No sábado, 16, caminhoneiros decidiram declarar estado de greve diante do cenário de alta sucessiva do preço dos combustíveis. Entidades prometeram parar o País a partir de 1.º de novembro caso o Planalto não atenda às reivindicações da categoria, que exigem cumprimento do frete mínimo, aposentaria especial e nova política para o diesel. Internamente, por sua vez, integrantes do governo encararam a mobilização como mais uma tentativa de greve que não deve se materializar nas estradas.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, fontes comparam a organização a outros esforços que fracassaram na adesão de transportadores autônomos. Mais uma vez, a avaliação é de que as forças que paralisaram o Brasil em 2018 não estão no jogo, como as transportadoras e o agronegócio.

Apesar de não haver temor de uma nova grande paralisação, há um entendimento dentro do governo de que a categoria é importante eleitoralmente para o presidente Bolsonaro, que se elegeu em 2018 com o apoio dos caminhoneiros. Lideranças que se dizem representantes da classe já afirmaram que os transportadores autônomos se sentem traídos nessa relação.

Procurado, o Ministério da Infraestrutura afirmou que o assunto não tem relação com as atribuições da pasta, e sugeriu contato com os ministérios da Economia e de Minas e Energia. Questionado, o Ministério da Economia declarou que a demanda deveria ser tratada com o Ministério da Infraestrutura. Já o Ministério de Minas e Energia não respondeu à reportagem até a publicação deste texto.

Reação

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido pelo apelido Chorão, avalia que o auxílio aos caminhoneiros não atende às demandas da categoria. "Esses R$ 400 propostos não atendem em nada nossas demandas e não vão aliviar a situação do transportador autônomo. Estamos pedindo dignidade e o cumprimento dos nosso direitos, não R$ 400", disse Chorão ao Estadão/Broadcast Agro, citando o valor que seria concedido pelo governo aos caminhoneiros, segundo fontes.

Na avaliação de Chorão, o valor está aquém da elevação dos custos totais para transporte rodoviário de cargas. "Caminhoneiro autônomo não faz nada com R$ 400 com o diesel na média de R$ 4,80. O caminhão percorre 2 quilômetros por litro. Esse valor pagaria 83 litros de diesel, o que daria para 160 quilômetros", disse Chorão. Essa distância é menor que um terço da distância percorrida entre Sorriso (MT) e Rondonópolis (MT), de 614 quilômetros - uma das principais rotas agrícolas rodoviárias do País. "Somente com alimentação, o transportador gasta em média R$ 50 por dia na estrada", afirmou o presidente da Abrava.

Segundo o presidente da Abrava, as reivindicações da categoria assim como o atual estado de greve e a paralisação prevista para 1º de novembro estão mantidas. "O que caminhoneiro vai fazer com R$ 400 com o preço de combustível atrelado à paridade de importação? Continuamos cobrando estabilidade dos preços, um fundo de colchão para amenizar volatilidade. R$ 400 não suprem nossas demandas", disse Chorão, que está à frente do movimento da categoria junto com o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) e com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL).

As reinvidicações incluem cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário, mudança na política de preço da Petrobras para combustíveis e aposentadoria especial a partir de 25 anos de contribuição, entre outros.

O presidente da Frente Parlamentar Mista dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas, deputado federal Nereu Crispim (PSL-RS), disse que a Frente ainda não foi informada oficialmente sobre o auxílio. "Ainda não tivemos nenhum retorno sobre os ofícios enviados com as pautas (da categoria)", afirmou Estadão/Broadcast, logo após o anúncio de Jair Bolsonaro. No início da semana, a Frente notificou o governo federal e autoridades legislativas sobre as reivindicações dos caminhoneiros e aviso de paralisação da categoria para 1.º de novembro.

Crispim disse que, mesmo desconhecendo a medida, entende que os caminhoneiros não querem nenhum tipo de "auxílio esmola". "Eles querem resolver a pauta que é ampla e passa pela política de preços para combustíveis da Petrobras", afirmou. O deputado relatou que vai procurar as lideranças dos caminhoneiros para entender se a medida atende à categoria e se manterão os pedidos feitos às autoridades e o estado de greve.

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Líder dos caminhoneiros diz que oferta de Bolsonaro é 'piada de mau gosto' e reafirma greve geral

Sem dar muitos detalhes, Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira um 'benefício' de R$ 400 por mês aos caminhoneiros, para compensar o aumento do diesel; categoria, porém, quer solução 'concreta'

André Borges, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2021 | 20h07

BRASÍLIA – O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, uma das principais lideranças do movimento de caminhoneiros do País, criticou duramente as declarações feitas nesta quinta-feira, 21, pelo presidente Jair Bolsonaro, de criar um “benefício” de R$ 400 por mês aos caminhoneiros, para compensar o aumento do diesel

“Eu acho que foi uma piada que ele (Bolsonaro) fez... ou será de verdade? Isso é uma piada de mau gosto. O caminhoneiro não quer esmola, quer dignidade, quer os compromissos que foram assumidos e que até hoje não saíram do papel”, disse Landim, conhecido entre os caminhoneiros como “Chorão”.

Wallace Landim tem trânsito dentro do governo e esteve presente em diversas reuniões com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, para tratar de medidas voltadas à categoria. O relacionamento institucional ocorreu durante um bom período e o governo, em outros momentos, conseguiu debelar movimentos de greve no setor. Agora, o tom é outro.

“Queremos algo concreto, não cortina de fumaça. A classe já deu 15 dias para o governo trazer algo concreto, mas isso não veio. Agradecemos pela piada do presidente, mas estamos num trabalho de unificação das pautas da categoria e a paralisação para o dia 1 de novembro está mantida, seguimos com a mobilização”, comentou.

Os caminhoneiros se movimentam para fazer uma greve geral em 1 de novembro. A ameaça de falta de combustível e os sucessivos de preço promovidos pela Petrobras são as principais queixas do setor. “A gente vem num trabalho de tentar acreditar, fizemos várias reuniões, mas percebemos que nada saiu do papel e a categoria não suporta mais esperar. Não aguentamos mais, estamos na beira do abismo. Chega disso”, disse o líder caminhoneiro da Abrava, que reúne cerca de 35 mil associados. 

Um ministro da cúpula do governo afirmou que, de fato, a declaração feita por Bolsonaro de lançar uma “bolsa caminhoneiro”, sem detalhar como isso seria feito e, principalmente, de onde sairia o dinheiro, foi uma ação extremamente mal recebida pelo setor e por todos agentes econômicos. "Números serão apresentados nos próximos dias, vamos atender aos caminhoneiros autônomos. Em torno de 750 mil caminhoneiros receberão ajuda para compensar aumento do diesel", afirmou o presidente, durante participação em um evento em Sertânia (PE).

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'Caminhoneiro não quer esmola, quer dignidade', diz presidente de associação de trabalhadores

Para líder da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística, proposta de auxílio de R$ 400 anunciada hoje por Bolsonaro não resolve os problemas da categoria

Isadora Duarte, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2021 | 21h09

O auxílio aos caminhoneiros que será concedido pelo governo federal, anunciado nesta quinta-feira, 21, pelo presidente Jair Bolsonaro, não agradou à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL)

"O caminhoneiro não quer esmola, quer dignidade. Para as petroleiras (dão) um trilhão, para o caminhoneiro humilhação", disse o diretor da CNTTL, Carlos Alberto Litti Dahmer, ao Estadão/Broadcast Agro

O presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), Plínio Dias, também criticou a medida. "Nossa pauta é outra: é a sobrevivência da categoria, como estamos pedindo. O governo não poderá nos ajudar para sempre", afirmou Dias.

O presidente Jair Bolsonaro anunciou que o governo criará um benefício voltado a 750 mil caminhoneiros autônomos, que receberão uma ajuda para compensar o aumento do diesel. O presidente não forneceu detalhes sobre como será o auxílio nem o valor do benefício e a origem dos recursos. O anúncio foi feito no evento de inauguração do Ramal do Agreste, em Sertânia (PE). Fontes apontam que o valor concedido será de R$ 400 por mês.

Na avaliação de Litti, a proposta do governo é "ridícula". "Mostra o total despreparo com qual é tratada a categoria. É um absurdo pensar que uma categoria de transportador autônomo com todas dificuldades que tem enfrentado possa compreender uma proposta tão insignificante", disse. 

Ele também criticou o fato de a medida não ser direcionada às causas da elevação do diesel. "Não é o auxílio que vai resolver o problema da política equivocada de preços da Petrobras para combustíveis. É preciso extirpar o mal que essa política errada está ocasionando", afirmou o diretor da CNTTL.

Caminhoneiros rodoviários autônomos e celetistas anunciaram estado de greve no último sábado e afirmam que vão paralisar as atividades em 1º de novembro, caso o governo não atenda às reivindicações da categoria. 

Os pedidos incluem cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário, mudança na política de preços da Petrobras para combustíveis e aposentadoria especial a partir de 25 anos de contribuição, entre outros. CNTRC, CNTTL junto com a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) estão à frente do movimento. 

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