Secretário do governo Dilma se identifica com economista

Márcio Holland de Brito cita sua forte influência pela visão keynesiana de crescimento econômico com restrições externas

Fábio Alves, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2011 | 00h00

Um dos keynesianos mais influentes do governo Dilma Rousseff, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland de Brito, explica, entre outros motivos, que se identifica com a teoria do célebre economista inglês em razão "da crença de que políticas monetárias não são neutras, nem políticas fiscais são dispensáveis".

Para ele, "políticas monetárias - de agregados monetários ou taxas de juros - afetam direta ou indiretamente o lado real da economia, assim como políticas fiscais podem ser operadas anticiclicamente e pró ciclicamente".

Holland tem doutorado no Instituto de Economia da Unicamp e fez pós-doutoramento na Universidade da Califórnia, em Berkeley.

No currículo divulgado pelo Ministério da Fazenda, a extensa produção acadêmica de Holland, sozinho ou em parceria, inclui trabalhos como "Crescimento econômico secular no Brasil, Modelo de Thirlwall e termos de troca. Economia e sociedade", pela Unicamp, e "Moeda comum e integração econômica no Mercosul" (em parceria com o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira), publicado no Journal of Post Keynesian Economics.

Ele também cita sua "forte influência de Keynes" pela visão keynesiana - "derivada, mas não produzida diretamente por Keynes" - de crescimento econômico com restrições externas (Lei de Thirwall, economista britânico que, em 1979, escreveu "A restrição do balanço de pagamento como explicação para as diferenças de taxas de crescimento internacional").

Holland explica que essa visão é keynesiana "porque fala do "lado da demanda" do modelo de crescimento, e não apenas do "lado da oferta", como modelos convencionais de crescimento". Ele chama a atenção também, dentro da visão keynesiana, para "a noção de irracionalidade do agente econômico, especialmente em mercados financeiros", explica Holland.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.