Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Secretário do Tesouro deixa as 'pedaladas' e corre na Esplanada

Arno Augustin completou os 5 km da 1ª Corrida do Tesouro Nacional; ministra Miriam Belchior também participou do evento

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

14 Dezembro 2014 | 12h11

BRASÍLIA - Acusado de "pedalar" as contas do governo durante todo o ano, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, acordou bem cedo na manhã deste domingo, 14, para correr a 1ª Corrida do Tesouro Nacional. Ele conseguiu fazer os 5 km oficiais da prova - ou 4 km e 770 metros na marcação do GPS de um dos participantes - em 35 minutos e 28 segundos.


A ministra do Planejamento Miriam Belchior, cotada para assumir a presidência da Caixa ou o Ministério das Cidades, cruzou a linha de chegada três minutos na frente do secretário, mas com a artimanha de ter optado pela outra modalidade do circuito: caminhar 2,5 km. "Já estava programado de ela chegar antes", brincou o secretário.



Colegas de Esplanada, os dois estavam entre os 600 participantes do evento. A competição, que teve R$ 83 mil de patrocínio da Caixa, arrecadou duas toneladas de alimentos, que serão doadas a instituições de caridade. 


Arno é criticado dentro e fora do governo pela gestão fiscal, marcada por manobras contábeis para "garantir" o cumprimento das metas. Entre as mais conhecidas está a "pedalada", prática de adir despesas, mesmo obrigatórias, para obter um resultado melhor no presente, apesar de a conta sempre ficar para ser quitada no futuro. 


Ao longo de 2014, o governo atrasou os repasses do Tesouro Nacional para que os bancos, principalmente a Caixa, pagasse benefícios previdenciários e sociais, como o Bolsa Família. Houve represamento de recursos para o pagamento de até mesmo programas vitrines de Dilma Rousseff, como o Minha Casa Minha Vida. 


Alvo de um enxurrada de críticas no mercado financeiro, Arno tem o apoio de Dilma e pode ocupar o cargo de assessor especial da Presidência na segunda gestão. O economista de 54 anos, filiado ao PT desde a fundação do partido, começou a correr há um ano e meio, depois que parou de fumar, a convite do subsecretário de Planejamento e Estatísticas Fiscais, Cleber de Oliveira.


Na largada, às 8h30, na frente do Ministério da Fazenda, Arno parou para acertar o próprio cronômetro antes de dar o pique. Não ficou, claro, no pelotão de frente, mas manteve o ritmo durante quase toda a prova, cujo trajeto partia do Ministério da Fazenda, passava por todos os ministérios, descia à Praça dos Três Poderes e terminava no ministério onde Arno trabalha todos os dias, de terno e gravata.


A parte mais difícil, contou o próprio secretário, foi a subida do Palácio do Planalto, onde a presidente despacha, para o Congresso Nacional. Tarefa tão árdua quanto a aprovação da proposta que liberou o governo de eventualmente responder por crime de responsabilidade, como acusava a oposição, por descumprir a meta de superávit primário - economia para o pagamento dos juros da dívida. Depois quase 19 horas de sessão e muita confusão, os parlamentares aprovaram, no início deste mês, o projeto que viabiliza a manobra fiscal e permite ao governo fechar as contas deste ano. Na prática, a meta de ao menos R$ 81 bilhões deixa de existir e as contas podem até mesmo ficar no vermelho.

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