Edu Andrade/Ministério da Economia - 14/4/2020
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Secretário do Tesouro diz que cortar gastos obrigatórios foi problema original do Orçamento

Ala política articula junto ao Congresso a recomposição de R$ 2,5 bilhões que foram cortados de investimentos e ações que são vitrine no Orçamento de 2021; tema foi discutido entre presidente Jair Bolsonaro e alguns ministros, sem Guedes

Idiana Tomazelli e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2021 | 17h16

BRASÍLIA - Em meio à articulação da ala política do governo para cortar despesas obrigatórias e recompor investimentos que foram vetados do Orçamento de 2021, o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, disse nesta quinta-feira, 29, que cortar despesas obrigatórias para impulsionar discricionárias (que são gastos opcionais e incluem as obras) “foi justamente o problema original”. Ele defendeu “seguir exatamente o planejado” e avaliar as despesas ao longo do ano.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, a ala política do governo articula junto ao Congresso Nacional a recomposição de cerca de R$ 2,5 bilhões que foram cortados de investimentos e ações que são vitrine no Orçamento de 2021. A manobra seria feita por meio de um novo corte em despesas obrigatórias no projeto de lei enviado pelo próprio governo para desfazer a “maquiagem” feita nesses gastos pelos parlamentares.

O tema foi discutido em um café da manhã na quarta-feira, 28, no Palácio do Alvorada entre o presidente Jair Bolsonaro e alguns ministros da ala política. O compromisso não consta na agenda oficial da Presidência.

Depois de bater o pé em defesa do ajuste no Orçamento, que resultou no corte de R$ 29 bilhões entre vetos e bloqueios, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi deixado de fora do encontro.

“Cortar obrigatória para recompor investimento foi justamente problema original”, disse Funchal, quando questionado em entrevista coletiva sobre a manobra. Ele lembrou que R$ 9,3 bilhões em despesas do Orçamento estão bloqueados e podem ser liberados, caso a projeção de gastos obrigatórios caia ao longo do ano.

Os recursos bloqueados, porém, não contemplam algumas ações que foram totalmente vetadas, como o dinheiro para a continuidade da construção de casas do programa habitacional Casa Verde e Amarela – uma das principais vitrines do governo no Nordeste.

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