Brendan Smialowski/AFP
Brendan Smialowski/AFP

Secretário do Tesouro dos EUA defenderá reformas em visita ao Brasil

Jack Lew será o primeiro representante de Barack Obama a visitar o Brasil após a efetivação de Temer

Cláudia Trevisan, correspondente, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2016 | 20h17

WASHINGTON - O secretário do Tesouro dos EUA, Jack Lew, levará a Brasília na terça-feira uma mensagem de apoio às reformas econômicas propostas pelo governo, em especial na área fiscal. Primeiro integrante do gabinete de Barack Obama a visitar o Brasil desde a efetivação de Michel Temer no cargo, ele será recebido pelo próprio presidente, que tenta resgatar a confiança internacional no país e atrair investimentos estrangeiros para projetos de infraestrutura.

"As políticas que foram articuladas pelo ministro da Fazenda (Henrique Meirelles) e o Banco Central são construtivas. Na medida em que sejam implementadas, elas criarão as bases para o crescimento e investimentos futuros", disse uma autoridade do Departamento do Tesouro em briefing sobre a viagem. 

Além do Brasil, Lew visitará Argentina, Colômbia e México. "A viagem tem o objetivo de fazer um balanço de reformas econômicas positivas e importantes na América Latina. Nós estamos vendo nesses países um esforço para construir economias mais estáveis e com crescimento", observou o funcionário do Tesouro.

Em sua avaliação, as dificuldades da economia brasileira decorrem de um coquetel que mesclou queda no preço das commodities, enfraquecimento da demanda global e doméstica, crescente intervenção do Estado na economia, gastos excessivos em programas sociais e aumento da carga tributária. O resultado, disse, foi o desequilíbrio das contas públicas e a redução da confiança dos investidores.

Tanto o Brasil quanto a Argentina passaram por transições políticas recentes, seguidas da adoção de medidas econômicas mais liberais e da apresentação de reformas demandadas pelo mercado. O representante do Tesouro lembrou que o Brasil vive sua mais profunda recessão em mais de cem anos, marcada por um período de instabilidade política.

Na quarta-feira, Temer se reuniu em Nova York com dirigentes das maiores empresas americanas com negócios no Brasil. Em seguida, participou de almoço com cerca de 300 investidores, analistas de mercado e representantes de agências de classificação de risco. 

Seu principal recado foi o de que o governo possui apoio no Congresso para aprovar o teto de aumento de gastos públicos e as reformas previdenciária e trabalhista, que ainda estão em fase de elaboração. As medidas enfrentam resistência na própria base de Temer no Congresso e muitos parlamentares pressionam para que a proposta de limite constitucional dos gastos seja flexibilizada.

"No Brasil hoje nós temos estabilidade política extraordinária por causa da relação muito adequada entre o Executivo e o Legislativo", disse o presidente em seu discurso aos investidores. No dia anterior, o juiz Sergio Moro havia acatado denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado de corrupção. No seguinte, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega permaneceu preso por um período de cinco horas, também no âmbito da operação Lava Jato.

A primeira parada do tour latino-americano de Lew será a Argentina, outro país que implementa medidas de ajuste. No briefing, o funcionário do Tesouro observou que o presidente Mauricio Macri herdou uma economia "extremamente distorcida", que estava à "beira da crise" no ano passado em razão de políticas "insustentáveis".

Na avaliação do Tesouro americano, o crescimento global está abaixo do esperado, em razão de fatores tanto cíclicos quanto estruturais. Os países devem responder a esse cenário com a adoção coordenada de estímulos monetários e fiscais "apropriados" às suas realidades, disse o integrante da equipe de Lew. "Esse é o melhor caminho para a economia mundial atingir crescimento forte, sustentável e equilibrado."

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