Secretário não confirma entrada de técnico no Paraguai

O Secretário da Agricultura do Mato Grosso do Sul, José Antônio Felício, não confirma que um veterinário do Iagro teria entrado em uma das fazendas onde há suspeita de febre aftosa no município de Corpus Christi, província de Canindeyú, Paraguai. O Iagro é a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal do Mato Grosso do Sul.Nesta quarta-feira, o presidente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Antonio Ernesto de Salvo, afirmou à editora do Estado Gecy Belmonte, de Brasília, que um projeto aprovado pela Câmara Federal do Paraguai autorizando o confisco ou a venda de fazendas de estrangeiros localizadas num raio de 50 quilômetros da fronteira com o Brasil era uma resposta à entrada do técnico do Iagro na fazenda paraguaia sem autorização."Eu soube da aprovação pelos jornais. É claro que o Paraguai está querendo retaliar o Brasil. Os paraguaios estão reagindo à decisão brasileira de fechar a fronteira para bovinos e produtos de carne do país vizinho", afirma Felício, acrescentando que "pelo que sabe a medida precisa ser aprovada também pelo Senado do Paraguai"."Esse é um assunto que está sendo tratado entre os ministérios dos dois países. O ministério brasileiro das Relações Exteriores já foi notificado do possível confisco", acrescenta o secretário. O Iagro é subordinado à secretaria da Agricultura do Mato Grosso do Sul.Embora Felício não confirme a informação da visita do técnico do Iagro sem autorização à fazenda onde há suspeita de foco de febre aftosa, fontes em Mato Grosso do Sul afirmam que o veterinário esteve na propriedade. As fontes não informaram o nome do técnico, mas disseram que ele está sendo ameaçado de morte pelos pecuaristas paraguaios.Os pecuaristas alegam que a divulgação de possíveis problemas sanitários no rebanho bovino do Paraguai pode prejudicar as exportações de carne bovina do país. Segundo essas fontes, o técnico do Iagro foi chamado à fazenda pelo pecuarista dono da propriedade, e o trânsito de técnicos entre Brasil e Paraguai é normal.Um entrevistado afirmou que a maior parte dos pecuaristas que têm fazendas no Paraguai conhecem melhor os veterinários brasileiros do que os de Assunção. A proximidade com o Brasil facilita o contato com técnicos brasileiros, completam.Suspeitando de que seus animais estivessem doentes, o pecuarista chamou um técnico do Iagro do Mato Grosso do Sul. Na fazenda, o técnico brasileiro fez um diagnóstico visual no lote suspeito de estar contaminado. O veterinário não pediu autorização para analisar visualmente os animais ao serviço veterinário do Paraguai.Na fazenda, afirmam as fontes, o técnico analisou os cascos, puxou e analisou a língua dos bovinos, procedimento para verificar visualmente a possibilidade de aftosa. O veterinário não coletou sangue dos animais, mas, ao voltar para o Brasil, ele disse a seu superior no Iagro para que ficasse atento às regiões de fronteira com o Paraguai, pois havia possibilidade de haver um surto de aftosa em fazendas do país vizinho.A assessoria de imprensa do Iagro informou que só o diretor-presidente do órgão, Alexandre Auler Krabbe, poderia falar sobre o assunto e que ele tinha viajado para a região de Paranaíba, perto da divisa com Goiás.Felício afirma ainda que segue sem problemas a inspeção que técnicos da Bacia do Prata (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia) começaram a fazer nesta semana na região paraguaia onde há suspeita de foco.Ele afirma que os técnicos também coletaram sangue de bovinos que estão em propriedades brasileiras que fazem divisa com o Paraguai. "Será um levantamento coordenado pelo Panaftosa. É bom lembrar que todo ano o governo do Mato Grosso do Sul faz uma amostragem para comprovar que o rebanho do Estado está livre de febre aftosa", afirma o secretário.Anualmente, são coletadas 1.800 amostras de sangue para avaliar a condição sanitária do rebanho do Mato Grosso do Sul.

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