Secretário prevê negociação importante com Bolívia em outubro

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim, acredita que a rodada de negociações com a Bolívia sobre o contrato de compra e venda de gás natural deve dar "um importante passo em outubro", quando haverá nova reunião do grupo binacional que está discutindo o tema. Segundo ele, os representantes da Bolívia devem apresentar uma contra-proposta. Tolmasquim disse ainda, em entrevista, que os principais pontos que estão sendo discutidos agora são a revisão do preço e a prorrogação da cláusula "take or pay". "Não estamos mais discutindo a questão da moeda. O contrato será mantido em dólar, mas que o seu valor caia", disse. Para Tolmasquim, as novas descobertas da Petrobras não significam somente um elemento de pressão na negociação com a Bolívia, mas demonstram que o País também tem o interesse de desenvolver o mercado de gás no longo prazo. O secretário afirmou que as descobertas mudaram a perspectiva e tendem a aumentar a participação do gás natural na matriz energética para até 12% no prazo de 10 anos. "Certamente esse índice, que havíamos revisto para baixo, vai aumentar. Isso dá uma garantia para a Bolívia de que haverá maior mercado também para o seu gás. É como a história do ovo e da galinha. A Bolívia quer garantia de que o mercado vai crescer, para baixar o seu preço, e a gente não acredita que sem baixar o preço o mercado cresça", observou. Nova fundaçãoO setor de petróleo e gás deverá ser planejado pela nova fundação que está sendo criada pelo governo para analisar e planejar a questão do setor energético como um todo, incluindo energia elétrica e petróleo e gás, disse Tolmasquim.Entretanto, segundo ele, a Petrobras continuará decidindo sobre os seus investimentos. "Mas, a partir do momento em que existem outros agentes investidores no setor, além da Petrobras, há a necessidade de ter um planejamento que fique separado da Petrobras e seja coordenado pelo ministério", afirmou. Essa fundação será responsável por traçar as perspectivas de expansão do setor.

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