Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Secretários definem proposta de reforma tributária com imposto gerido por Estados e municípios

De acordo com o texto, a União não poderá definir a alíquota desse imposto, mas ainda terá participação na arrecadação

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2019 | 15h26

Secretários de Fazenda dos 26 Estados e do Distrito Federal fecharam nesta quarta-feira, 31, pontos de uma proposta de reforma tributária que serão apresentados ao Congresso Nacional. A redação do texto ainda será fechada nesta tarde e apresentada aos governadores na semana que vem para validação.

Os pontos definidos foram anunciados durante o intervalo de uma reunião do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em Brasília pelos secretários do Piauí, Rafael Fonteles, presidente do órgão, e de São Paulo, Henrique Meirelles.

Os  gestores decidiram que apresentarão uma proposta que cria um comitê gestor somente com Estados e municípios, sem a participação da União, para o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), proposto na reforma tributária que está em tramitação na Câmara, conforme o Estado antecipou na terça-feira, 30. O texto vai trazer uma alíquota mínima, ainda a ser definida, e cada Estado ou município poderá alterar o porcentual. A União não poderá definir a alíquota do imposto, mas ainda terá participação na arrecadação, de acordo com a medida.

Os secretários querem ainda criar um fundo de desenvolvimento regional para atender principalmente as Regiões Norte e Nordeste, e um fundo de equalização de perda de receitas que eventualmente ocorrer com as mudanças. Os porcentuais para esses fundos ainda não foram fechados.

O benefício da Zona Franca de Manaus será mantido, de acordo com a proposta desenhada pelos Estados. Também no texto, a Justiça estadual será a instância para julgar contenciosos administrativos envolvendo o IBS. Uma base ampla para englobar serviços digitais na tributação também faz parte da proposta.

A ideia é que um deputado federal apresente os pontos por meio de uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que está na Câmara e que ainda depende de votação em uma comissão especial. A PEC, idealizada pelo economista Bernard Appy, cria o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS), substituindo três tributos federais (IPI, PIS e Cofins), o ICMS, que é estadual, e o ISS, municipal.

Henrique Meirelles acredita que é possível aprovar uma reforma tributária no Congresso Nacional ainda neste ano. "Hoje avançamos muito, talvez o passo mais importante, mais decisivo para a reforma tributária tenha sido hoje", comentou o secretário. Ele classificou a reforma tributária com a participação dos Estados como "absolutamente fundamental", justificando que grande parte das distorções no sistema tributário atual se dão exatamente nos impostos estaduais, como o ICMS.

"O mais importante é que os Estados entenderam isso e estão de acordo. Hoje não existe aqui nenhum desacordo, ninguém que discorda de se fazer a reforma que vá alterar, simplificar e consolidar os impostos estaduais e acabar com a guerra fiscal", disse Meirelles.

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