Securitização de hipotecas precisa de apoio, diz Bernanke

Presidente do Fed não quis comentar economia dos EUA ou a política monetária norte-americana

Regina Cardeal, da Agência Estado,

31 Outubro 2008 | 16h20

O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano), Ben Bernanke, disse que embora as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac tenham sido reorganizadas, o apoio do governo será necessário para a securitização das hipotecas. Bernanke disse ainda que o propósito público das GSEs (government sponsored enterprises, ou empresas patrocinadas pelo governo), como Freddie e Fannie, não ficou totalmente claro, e que os riscos sistêmicos permanecem na medida em que as carteiras continuam grandes.   Veja também De olho nos sintomas da crise econômica  Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundo Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    Em um discurso preparado para o simpósio sobre "o derretimento das hipotecas, a economia e as políticas públicas", promovido pela Universidade da Califórnia em Berkeley, Bernanke sugeriu que uma abordagem para a reforma das GSEs seria a criação de uma seguradora estatal de bônus para o financiamento de hipotecas.   Essa abordagem mencionada por Bernanke foi sugerida pelos economistas do Fed, Diane Hancock e Wayne Passmore. A seguradora de bônus do governo funcionaria paralelamente às linhas da Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC). "Essa nova agência ofereceria, por um prêmio, seguro garantido pelo governo para qualquer tipo de bônus usado para fornecer financiamento aos mercados de hipotecas", disse Bernanke. "Essa abordagem criaria limites para a exposição do governo, enquanto levaria aos mercados os benefícios explícitos do suporte governamental", afirmou   "O governo tem um papel a desempenhar no apoio à securitização das hipotecas, pelo menos durante os períodos de grande estresse financeiro", disse Bernanke. "Mas uma vez que garantias do governo estão envolvidas, os problemas envolvendo risco sistêmico e os recursos dos contribuintes devem ser trabalhados com clareza e credibilidade", afirmou.   O presidente do Fed observou que depois que Fannie Mae e Freddie Mac foram colocados sob intervenção do governo em setembro, "os custos de financiamento para os GSE caíram rapidamente, assim como os spreads relacionados à precificação das hipotecas". Mais recentemente, contudo, "os mercados de dívida de GSE e hipotecas ficaram novamente sob alguma pressão por conta da desarticulação generalizada dos mercados financeiros", afirmou o presidente do Fed.   Com relação ao futuro de Fannie e Freddie, Bernanke observou que a legislação criada recentemente deu aos GSEs uma regulação forte, com autorização para estabelecer critérios que assegurem que as carteiras são consistentes e as operações das empresas são sólidas. "Contudo, o propósito público das carteiras de GSEs, pelo menos em tempos de condições financeiras normais, não ficou totalmente claro, e os riscos sistêmicos permanecem na medida em que as carteiras continuam grandes", disse Bernanke.

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